Benguela – Os turistas alemães Matthias Brandt, Ralf Moeller e Eckhard Stiller, que percorrem África de motorizada, defendem maior investimento em infra-estruturas de apoio ao turismo de aventura, para transformar Angola num destino de permanência e não apenas de passagem.
Benguela – Os turistas alemães Matthias Brandt, Ralf Moeller e Eckhard Stiller, que percorrem África de motorizada, defendem maior investimento em infra-estruturas de apoio ao turismo de aventura, para transformar Angola num destino de permanência e não apenas de passagem.
Os três viajantes iniciaram, a 1 de Setembro de 2025, em Colónia, Alemanha, uma expedição de mais de 20 mil quilómetros com destino à Cidade do Cabo, África do Sul, encontrando-se actualmente na terceira e última etapa da viagem pelo continente africano.
Em declarações à ANGOP, durante a passagem por Benguela, Eckhard Stiller, porta-voz do grupo, considerou Angola um dos países africanos que mais positivamente os surpreenderam, destacando a evolução das condições encontradas e a hospitalidade da população.
“Angola é, com certeza absoluta, um dos países mais simpáticos e com as melhores condições que encontramos”, afirmou o viajante alemão, excluindo da comparação Marrocos, por considerar que aquele país apresenta um nível de desenvolvimento turístico diferente.
O turista comparou a realidade angolana com a de outros países africanos percorridos durante a expedição, entre os quais Gana e Nigéria, salientando que a entrada em Angola representa, para muitos viajantes, uma melhoria das condições disponíveis.
“Nota-se que o país, durante os últimos 25 anos, transformou-se muito”, afirmou Eckhard Stiller, segundo o qual os turistas que percorrem a costa africana reconhecem a melhoria das condições quando entram em território angolano.
Para o viajante, Angola reúne condições favoráveis para atrair o segmento do turismo de aventura, constituído por pessoas que percorrem o continente africano em veículos todo-o-terreno, motorizadas ou bicicletas.
Considerou, entretanto, que o principal desafio passa pela criação de infra-estruturas básicas no interior do país, sobretudo em zonas de interesse turístico, onde os visitantes possam permanecer com segurança e usufruir dos recursos naturais.
“Eu acredito que nós devíamos investir em criar condições e levar a informação das belezas de Angola para fora. Isso tem que ser divulgado para atrair mais turistas”, defendeu.
Parques de campismo
Entre as soluções apontadas pelo turista está a criação de parques de campismo, espaços seguros para estacionamento e áreas destinadas à instalação de tendas, como alternativa inicial à construção de grandes unidades hoteleiras.
“Não é com a criação de grandes hotéis. Eu acredito que o início tem que ser aquilo que nós temos de beleza natural”, sustentou Eckhard Stiller, considerando que os parques de campismo podem constituir uma resposta adequada às necessidades deste segmento turístico.
Na sua perspectiva, a aposta neste tipo de estruturas permitiria igualmente dinamizar as regiões do interior, onde persistem limitações ao nível das infra-estruturas, energia eléctrica e outros serviços de apoio aos visitantes.
O turista alemão considera que estas medidas podem contribuir para alterar a actual percepção de Angola como um país essencialmente de passagem para outros destinos da região austral de África.
“Angola é um país de passagem, de trânsito”, afirmou, referindo-se aos viajantes que entram no território angolano pelas fronteiras do norte ou chegam através do Soyo e seguem em direcção a Luanda, Benguela, Lubango e à África do Sul.
Para Eckhard Stiller, é necessário algum investimento para que esses turistas deixem de apenas atravessar Angola e passem a permanecer no país, conhecendo as suas paisagens, comunidades e outros atractivos turísticos.
A expedição dos três alemães já ultrapassou os 20 mil quilómetros, estando previstos mais cerca de três mil quilómetros até à Cidade do Cabo, embora a distância final possa variar em função dos desvios realizados ao longo do percurso.
Depois de Benguela, os turistas prosseguiram viagem pelo Lubango, província da Huíla, e pelo Cunene, antes de entrarem na África do Sul, onde prevêem concluir a expedição na Cidade do Cabo, em Outubro.
A aventura está a ser documentada diariamente através de fotografias, vídeos e relatos publicados nas redes sociais pelos três viajantes, que pretendem divulgar junto do público europeu a experiência vivida em Angola.
“Estamos a tentar ser embaixadores do turismo para Angola”, afirmou Eckhard Stiller, acrescentando que os seus companheiros também partilham as experiências da viagem nas respectivas plataformas digitais. JH/CRB



