Luanda – As acções da Unitel representaram, até ao dia 21 deste mês, 77,01% do total de títulos transaccionados na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), em menos de um mês desde a entrada da operadora de telefonia móvel no mercado bolsista.
Luanda – As acções da Unitel representaram, até ao dia 21 deste mês, 77,01% do total de títulos transaccionados na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), em menos de um mês desde a entrada da operadora de telefonia móvel no mercado bolsista.
Dos um milhão 71 mil 796 acções movimentadas pelas seis empresas cotadas desde o início do ano, 825 mil e 410 pertencem à UNITEL, enquanto as restantes cinco empresas cotadas repartiram as remanescentes.
Na semana finda, os accionistas da operadora movimentaram 655 mil 609 acções, o que foi determinante para aumentar o peso da empresa no mercado secundário.
A forte procura e negociação das acções da Unitel é sustentada, em parte, pela novidade do título e pelo elevado número de novos accionistas, resultante da Oferta Pública de Venda (OPV) de 15% do capital da empresa e pela dimensão e notoriedade da operadora no mercado angolano.
A OPV registou a procura superior à oferta, tendo sido alocadas 7.5 milhões de acções a 16 mil e 571 ordens contempladas.
O movimento deu-se, entretanto, num contexto particularmente sensível, uma vez que, um dia antes da oficialização da entrada em bolsa, a Unitel foi alvo de um ataque cibernético.
Dada a proximidade temporal, a empresa levantava, na altura, a hipótese de o ataque ser deliberado e dirigido com objectivo de perturbar o processo de admissão das acções à negociação.
A investigação sobre o incidente continua a ser acompanhada pela UNITEL, que informou recentemente ter concluído a reposição dos principais serviços e que uma investigação forense, realizada com especialistas externos, não identificou, até ao momento, comprometimento ou acesso indevido aos dados pessoais de clientes e parceiros.
Do ponto de vista do mercado de capitais, a concentração de 77% do volume de acções transaccionadas num único título demonstra também o efeito que a entrada de uma empresa de grande dimensão pode produzir na ainda relativamente reduzida bolsa angolana.
Neste sentido, a Unitel, até ao momento a única empresa do sector das telecomunicações a operar na BODIVA, passou a disputar a atenção dos investidores com os cinco outros activos cotados.
Todavia, em poucas semanas conseguiu gerar um volume de negociação superior ao conjunto das restantes cotadas.
Para os especialistas, as próximas semanas serão determinantes para se perceber se a valorização das acções da operadora corresponde à novidade do activo ou traduz uma tendência mais estrutural.
Uma eventual estabilização da negociação da UNITEL poderá permitir avaliar com maior clareza a liquidez das restantes empresas e a capacidade da BODIVA de diversificar o mercado secundário. ACC/QCB



