A Unitel tornou-se quinta-feira a primeira empresa do sector das telecomunicações a ser admitida às negociações na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), passando a contar com 11.264 novos accionistas.
A entrada no Mercado de Bolsa de Acções (MBA) representa um dos marcos mais relevantes do Programa de Privatizações (PROPRIV), resultando da alienação de 7,5 milhões de acções, o equivalente a 15% do capital social da operadora. As acções, anteriormente detidas pelo Estado através do Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE), foram comercializadas por meio de uma Oferta Pública de Venda (OPV), que decorreu entre 6 e 24 de Julho. O preço final fixou-se em 40.040 kwanzas por acção, atingindo o tecto máximo previsto no prospecto. A operação da empresa, fundada em 1998, permitiu um encaixe financeiro de 300,3 mil milhões de kwanzas para os cofres do Estado. A sessão oficial de admissão das acções da UNITEL.SA aconteceu em Luanda, às 11h06, com o tradicional toque do sino (Ring the Bell). O acto foi protagonizado pelas presidentes da Comissão Executiva da BODIVA, Cristina Lourenço, e do Conselho de Administração, Valentina Filipe, além do presidente do Conselho de Administração da Unitel, Aguinaldo Jaime. A cerimónia foi testemunhada pelo secretário de Estado para as Telecomunicações, Ângelo Buta, e pelo presidente do IGAPE, Álvaro Fernão. Momento marca nova relação com o mercado Ao proferir o discurso de abertura, Cristina Lourenço realçou que esta admissão inaugura uma nova relação da Unitel com o mercado, fundada na prestação regular de informação, no escrutínio público, na disciplina e na responsabilidade perante os novos accionistas. A entrada da operadora, sublinhou, impulsiona não apenas a diversificação de sectores de actividade na Bolsa, mas também a profundidade, a liquidez e a atractividade do mercado secundário de acções em Angola. A procura pelas 7.500.000 acções ordinárias excedeu a oferta disponível, registando um rácio de cobertura de aproximadamente 120%. Para Cristina Lourenço, este indicador é um sinal evidente da confiança dos investidores na solidez da empresa e no potencial de crescimento do mercado de capitais nacional. Por sua vez, o presidente do Conselho de Administração da Unitel, Aguinaldo Jaime, sublinhou que o toque de sino vai muito além do simbolismo associado à entrada no mercado financeiro, pois representa a abertura de uma nova etapa na vida da operadora. Para o gestor, esta fase será caracterizada por uma maior responsabilidade institucional, proximidade com os investidores, rigor na transparência e por um compromisso firme com a criação sustentável de valor. Ataque cibernético afectou infras-estruturasEm esclarecimento à falha da rede verificada nos últimos dias, Aguinaldo Jaime justificou que a operadora foi alvo de um incidente de cibersegurança que afectou parte da sua infra-estrutura tecnológica. O presidente do Conselho de Administração assegurou que a empresa continua focada na recuperação integral das operações, no reforço contínuo da sua resiliência e na criação de valor sustentável para o mercado. “A Unitel colabora com as autoridades competentes no sentido de apoiar a investigação em curso e contribuir para a identificação e responsabilização dos autores deste ataque, reafirmando o nosso compromisso com o combate ao cibercrime e com a protecção dos nossos clientes, parceiros e accionistas”, declarou o gestor. O presidente do Conselho de Administração sublinhou ainda que a instituição permanece financeiramente sólida, operacionalmente resiliente e estrategicamente preparada para mitigar e enfrentar os crescentes desafios de um ecossistema digital cada vez mais complexo e volátil. O gestor enfatizou que o recente incidente, longe de fragilizar a operadora, serviu para testar e validar a eficácia dos protocolos de contingência da empresa, impulsionando novos investimentos na modernização dos sistemas de defesa cibernética.




