A arte de contar histórias com flores: Dulce Mascarenhas fala sobre a sua trajetória

Em entrevista exclusiva concedida ao AngoRussia, a designer floral, Dulce Mascarenhas, partilhou detalhes da sua jornada no mundo do design floral, tendo revelado como surgiu a sua paixão pelas flores e de que forma conseguiu transformar o talento natural num negócio rentável.
A profissional começou por explicar que o seu interesse pelo design floral nasceu de forma espontânea, impulsionado pela curiosidade e pela vontade de criar algo belo e significativo para um amigo, com o tempo, essa paixão evoluiu para um projecto profissional, que hoje se destaca no mercado pela originalidade e estética.
“Na verdade a paixão foi surgindo ao longo do tempo, comecei numa brincadeira a ajudar um amigo a fazer um presente para alguém especial com algo diferente, mas depois de ter feito aquela caixinha com formato de coração, não me esqueço ate hoje, vi que dava para apostar e fazer algum dinheiro”, disse.
A designer floral revelou ainda que o caminho nem sempre foi fácil, especialmente nos primeiros tempos, quando enfrentou a falta de apoio e compreensão por parte de pessoas próximas.
“Enfrentei muitos desafios, começando pela família e pelos amigos, como se tratava de flores, pouca gente acreditava que isso podia ser uma profissão, perguntavam-me se era mesmo o que eu queria fazer, e até me recomendavam vagas de emprego, tive de ser firme e dizer: eu quero fazer isto”, revelou.
Dulce recordou também um dos momentos mais marcantes da sua vida, que coincidiu com o início da sua jornada profissional e fez com que seu pai tivesse consigo uma conversa sensível. questionando-a se era mesmo com flores que queria trabalhar.
“Perdi a minha mãe quatro meses depois de começar neste caminho. O meu pai, de forma muito sensível, sentou-se comigo e disse: ‘Tu és a minha última filha e eu já sou velho, não tenho como continuar a sustentar-te. Não achas melhor emigrar? Vamos tratar tudo e ficas por lá a tentar a vida’. Ele quis ver-me crescer. Mas eu tive coragem de lhe dizer que podia crescer aqui em Angola e que o ajudaria com o meu negócio. Sempre fui muito firme”, partilhou emocionada.
Por: Airiana Mateus


