"A vocação é um factor decisivo para o desempenho de qualquer profissão"

Escritora Maria da Conceição Luis Matias Lopes Neto, fala do seu porimeiro livro intitulado, ''O envelhecimento activo e saudável em Angola'', lançado a semana passada em Luanda... Entrevistada pelo Jornal Expansão.
Conta-nos como foi o processo de criação desta obra que marca a sua estreia na literatura?
A obra nasce a partir de uma análise sobre o comportamento dos idosos no nosso País, particularmente, nos municípios do Sumbe e Gabela. Os meus familiares e pessoas conhecidas tinham uma percepção errónea quanto ao envelhecimento. Eles acreditavam que alguém com 50 anos já era considerado velho, inactivo, improdutível, marginalizado e auto marginalizado. Certa vez, um tio meu, com 70 anos, saiu da Gabela para o Sumbe para se despedir de nós porque acreditava que ia morrer e, de tão convicto que estava, começou a adoecer até morrer.
O livro tem o prefácio de Ana Dias Lourenço e o posfácio de Dom Zacarias Kamwenho. Porque os escolheu?
Escolhi a Primeira Dama da República porque percebi que temos o mesmo pensamento e que estamos unidas para promover o envelhecimento activo e saudável em Angola. Quanto, a Don Za carias Kamwenho, em sua me mória, lembro-me que foi no dia 23 de Abril que me entregou a obra. Por ser um ancião que não só pertenceu à igreja, mas à sociedade, um homem que realizou o posfácio do meu livro de 296 páginas aos 91 anos e que nos deixou palavras apelativas sobre como se deve envelhecer activamente e de forma saudável. Ele foi um exemplo disso mesmo.
O falecimento do seu tio, que coincidiu com o "estigma social" de que chegar aos 70 anos é o termino da vida, foi o ponto de partida do seu livro?
Sim! Porque naquele mesmo ano viajei para Portugal, visitei a cidade de Beja e deparei-me com o senhor Kutaya, director de um lar de assistência a pessoas idosas, e fiquei impressionada com o número de idosos, que era superior ao de jovens. Eles eram todos activos, e apesar de peque nas debilidades físicas, tinham actividades de lazer e eram bem acompanhados.
Embora a esperança de vida noutros países seja de mais de 70 anos, muitos idosos são colocados em lares e ficam afastados do seio familiar.
Os europeus têm a cultura de colocar os idosos em lares, mas conferem-lhes alguma dignidade. Então, por que não fazemos isto no nosso País? Em Angola, já existem leis que defendem toda a protecção social, pessoas que pugnam pelo desenvolvimento humano, sobretudo, naquela faixa etária, temos projectos como a Fundação Ngana Zenza e não só. E graças a estas iniciativas juntei as fraquezas, forças e a oportunidade de poder intervir e decidi que tinha de avançar com o livro, pois era um tema que ainda não se tinha abordado em Angola.
Quer dizer que a obra apela para a criação de mecanismos e políticas que confiram um envelhecimento activo e saudável aos angolanos?
Podemos também em Angola conceber uma educação de alongar a nossa esperança de vida com qualidade, partindo do pressuposto de que a velhice é o estado que se atinge, mas o envelhecimento é um processo...


