A apresentadora Amélia Menezes, recordou recentemente, durante o programa “Jovens em Destaque”, os desafios que enfrentou para reconstruir a carreira televisiva em Angola, depois de regressar ao país, ao revelar que chegou a estagiar na Semba com uma ajuda de custo de apenas 35 mil kwanzas, valor inferior ao salário da funcionária doméstica da sua casa.
Segundo a apresentadora, apesar de já ter uma carreira consolidada em Moçambique e ser uma referência no país onde trabalhava anteriormente, em Angola era praticamente desconhecida. Por isso, decidiu recomeçar e procurar oportunidades na área da comunicação.
“Eu decidi que ia voltar para a televisão, porque eu já tinha a minha carreira consolidada. Saí de lá como uma grande apresentadora e tudo, uma referência, mas em Angola eu era totalmente desconhecida”, contou.
Na altura, Amélia começou um estágio na Semba, onde recebia 35 mil kwanzas. O valor, segundo relatou, era inferior aos 45 mil kwanzas que a funcionária doméstica recebia. Ainda assim, a apresentadora manteve-se no estágio durante cerca de três meses, por entender que precisava de conhecer o mercado angolano e voltar a ganhar visibilidade.
“Eu sei, mas eu quero trabalhar, quero consolidar, quero que as pessoas me conheçam, também quero aprender como é que funciona aqui o sistema”, recordou.
Pouco tempo depois, Amélia engravidou e viajou para Moçambique, onde teve a filha. Ao regressar a Angola, ficou alguns meses dedicada à bebé, mas percebeu que queria voltar ao mercado de trabalho.
Foi então que decidiu procurar emprego por conta própria. Sem recorrer a amigos ou contactos, pegou no computador e começou a enviar currículos para empresas que encontrava. A estratégia acabou por resultar e foi chamada para uma entrevista na TV Cabo, onde conseguiu um emprego com uma remuneração superior à que recebia na Semba.
Amélia permaneceu quatro anos na TV Cabo, até sentir novamente o desejo de regressar à televisão. Foi através de um contacto com Mohamed, actualmente director comercial da ZAP, que o seu currículo chegou aos ZAP Estúdios.
Apesar da experiência que trazia, a apresentadora conta que não recebeu inicialmente a oportunidade de trabalhar como repórter ou apresentadora. Por ser estrangeira e ainda pouco conhecida no mercado angolano, foi convidada a assumir a função de coordenadora.
“Não, não podes ser apresentadora, não vais ser apresentadora agora. Ainda não conhecemos o teu potencial, mas pelo teu currículo tu tens aqui capacidade de ser uma boa coordenadora”, recordou ter ouvido na altura.
Determinada a conquistar espaço diante das câmaras, Amélia começou a insistir com Jorge Antunes para ter oportunidades de reportagem. Depois de muita insistência, conseguiu realizar a primeira reportagem e continuou a procurar oportunidades. Um dos momentos que mais a marcou aconteceu durante uma deslocação ao Uíge.
Inicialmente, não estava escalada para a viagem, mas recebeu de Jorge Antunes a indicação de que iria apresentar um especial no local. Entusiasmada com aquela que poderia ser a sua primeira grande oportunidade, deixou tudo em Luanda e viajou para a província.
Já no Uíge, porém, foi informada de que não poderia apresentar, devido a questões relacionadas com a organização da equipa. Amélia disse que chegou a pensar em desistir e decidiu regressar imediatamente a Luanda, comprando um bilhete de autocarro com o próprio dinheiro.
“Eu fiquei tão, mas tão para baixo, que eu disse: ‘Ah, eu vou desistir, eu não quero mais’”, revelou.
Apesar da frustração, a apresentadora não abandonou o caminho. Continuou a trabalhar, substituiu colegas em diferentes ocasiões e aproveitou as oportunidades que foram surgindo até conseguir demonstrar o seu potencial e consolidar o seu espaço na televisão angolana.
“Consolidei-me. Mas não foi um caminho fácil”, afirmou Amélia, ao recordar uma trajectória marcada por recomeços, dificuldades financeiras, recusas e muita persistência.




