Cândida Bastos fala sobre representatividade real na publicidade: “Não faz sentido usar actores para representar pessoas com deficiência”

Em entrevista exclusiva concedida ao AngoRussia, a publicitária Cândida Bastos falou sobre práticas comuns no sector, como a substituição de pessoas com deficiência por actores sem deficiência em campanhas, ao sublinhar que o acto, embora muitas vezes normalizado, fere a dignidade dessas comunidades e compromete a verdadeira representatividade na comunicação.
Durante a conversa, Cândida destacou que a comunicação tem um papel essencial na construção de narrativas inclusivas e transformadoras.
“Embora tenha sido normalizado, por exemplo, fazer uma campanha sobre pessoas com deficiência e, em vez de usar alguém com deficiência, usar actores que apenas parecem ter uma, isso não é comunicação. Isso fere essas pessoas, porque elas querem ser vistas, e para se sentirem vistas e valorizadas devem ser elas a representar essa comunidade”, disse.
Além da representatividade, Cândida também chamou atenção para o uso inadequado de palavras ofensivas em peças publicitárias ao realçar que é fundamental que os profissionais tenham sensibilidade e consciência do impacto que as suas mensagens geram.
“Outra coisa que não se deve usar na publicidade são palavras ofensivas, a uma pessoa ou marca, a publicidade tem um papel importante de educar, fazer as pessoas refletirem, levá-las a um lugar de melhoria e desenvolvimento”.
Por: Florinda José



