Daniel Nascimento questiona impunidade e violência: “Em que contexto matar civis é aceitável?”

O cantor e apresentador angolano Daniel Nascimento, fez um duro desabafo após a morte de uma mulher durante as manifestações em Luanda.
Num longo texto, Daniel questionou os padrões de resposta das autoridades em situações de protesto civil e o uso letal da força contra cidadãos desarmados.
“Em que contexto é que matar civis que não estão identificados como marginais perigosos é aceitável? Em que contexto é que matar uma MÃE na frente do filho é aceitável?”, começou por questionar.
Daniel mencionou casos emblemáticos como o de Juliana Cafrique, morta em Março de 2019, uma zungeira baleada na Maianga em Dezembro de 2022, e Xica, a que morreu a tiro em Agosto de 2024, todas vítimas civis.
“Parem de pedir para escutar o grito do povo: esses gritos são sempre ignorados. Parem de pedir mais empatia: é como pedir a um leão faminto que não nos ataque por sermos boas pessoas”.
O artista fez também uma crítica severa à banalização das mortes dos mais vulneráveis.
“Essas pessoas são invisíveis até termos de falar delas. A festa da independência, que devia ser da celebração da liberdade, está manchada pelo sangue e dor dos que ainda tinham esperança.”
Ao finalizar, Daniel apelou à consciência colectiva e ao fim da indiferença diante das injustiças.
“Mais um filho ficou sem o seu pilar. Mais uma família perdeu a sua ente querida. E um país continua ferido na sua dignidade de se considerar a pátria de todos”, finalizou.



