O cantor angolano Mona Nicastro abriu o debate sobre algumas das dificuldades que, na sua perspectiva, continuam a marcar o percurso de vários artistas no mercado musical nacional. Durante a sua participação no programa Blindada, na TV Zimbo, o músico apontou a falta de uma indústria musical estruturada, as relações no circuito de eventos e a rentabilização limitada das plataformas digitais como alguns dos principais obstáculos enfrentados pelos artistas.
Foto: IG/Mona Nicastro
Entre as questões levantadas, Mona Nicastro contestou a ideia de que todos os músicos que anunciam publicamente uma agenda preenchida estejam, necessariamente, com uma elevada procura profissional.
“Há músicos da banda que falam bué na TV que têm agendas cheias, afinal de contas não têm. Na banda, se você não for amigo dos realizadores de eventos, dificilmente irão te convidar, nós em Angola não temos indústria musical. Os músicos da banda não ganham com a Internet. Aqui ninguém ganha com as visualizações no YouTube e Spotify. Eu me arrependo de deixar de trabalhar na banca. Infelizmente, na banda temos pessoas que não gostam de ajudar o próximo, gostam que a gente fique pedinte deles”, desabafou.
Além da dependência de espectáculos e convites, o cantor chamou atenção para a pouca capacidade de monetização que, segundo a sua experiência, os músicos encontram nas plataformas digitais.
Diante desse cenário, Mona Nicastro afirma ter adoptado uma estratégia diferente para garantir maior estabilidade financeira. Actualmente, o artista diz estar concentrado no empreendedorismo e procura diversificar as suas fontes de rendimento, evitando depender exclusivamente da carreira musical.
“Eu agora sou só empreendedor. Se dependesse somente da música, ficaria a pedir apoio tipo esse nosso irmão”, afirmou.
A posição do músico reflecte, uma mudança de prioridade profissional, num mercado onde, segundo a sua perspectiva, a visibilidade pública nem sempre corresponde à estabilidade financeira.
Mona Nicastro criticou alguns dos desafios que, na sua perspectiva, marcam o mercado musical angolano, apontando a falta de uma indústria estruturada, a influência das relações pessoais na obtenção de convites para eventos e as dificuldades de monetização nas plataformas digitais. Durante o programa “Blindada”, da TV Zimbo, o cantor afirmou que actualmente aposta no empreendedorismo para diversificar os rendimentos e não depender exclusivamente da música.



