Tina Calamba fala sobre o foco de influenciadores que vêm para Angola: “Expõem rostos como moeda de troca por engajamento”

A ex-participante angolana do BBB 23, Tina Calamba, demonstrou a sua indignação pelo facto de alguns influenciadores digitais estrangeiros virem para Angola realizar acções filantrópicas e acabarem por se focar apenas em mostrar zonas carenciadas com famílias desfavorecidas, sem qualquer preocupação de divulgar o outro outro lado do país.
Num longo texto e em forma de desabafo, partilhado no seu perfil do Instagram, a também escritora enfatizou que a narrativa que alguns influenciadores passam não evidência a beleza do continente berço.
Caros influenciadores, que vêm para Angola realizar acções filantrópicas, é fundamental que se despeçam da energia do “branco salvador” – sim, porque na sua maioria, vocês são brancos. A narrativa que costumam vender não corresponde à complexidade do continente africano. A África não é só fome e pobreza. Essas dores existem, mas são consequências directas de séculos de saque colonial e de má gestão dos nossos recursos naturais – e não uma essência do nosso povo”, disse.
Tina Calamba, chamou atenção no sentido de se evitar expor as crianças vulneráveis a troco de engajamento e acrescentou que isto não representa a filantropia.
Se a intenção é mostrar a realidade, então mostrem-na por completo: o lado que evoluiu, que cresce, que inova, e também o que precisa de apoio – com respeito, responsabilidade e consciência ética. E sim, é importante que as pessoas vejam as acções, porque visibilidade atrai mais ajuda e mais recursos. Mas isso jamais pode custar a vulnerabilidade de crianças e mulheres. Mostrar necessidades não significa expor rostos, dores e fragilidades como moeda de troca por engajamento. Virem para cá apenas para aproveitar do nosso povo, expondo vidas sem consentimento, não é filantropia: é exploração. É ignorância travestida de ajuda, acrescentou.
Por fim acrescentou: “falo isso com propriedade. Sou jornalista, pesquisadora e filantropa, com acções realizadas tanto no Brasil quanto no meu próprio país. Sei o peso, a ética e a responsabilidade necessários ao representar vidas, histórias e territórios. Que aprendam a dosar, a estudar e a respeitar. Porque filantropia de verdade não humilha. Transforma”.


