Vanda Pedro exalta coragem das mulheres que empreendem em Angola: “Continuam porque são resilientes”

No âmbito do Dia do Empreendedorismo Feminino, celebrado nesta quarta-feira, 19 de Novembro, actriz e empreendedora Vanda Pedro, partilhou uma reflexão profunda sobre os desafios que marcam o percurso de milhares de mulheres que decidem criar e manter um negócio em Angola. Para a artista, empreender no país “é um acto de coragem” e uma prova diária de resiliência.
Segundo Vanda Pedro, a realidade do mercado angolano exige muito mais do que criatividade e boas ideias. A incerteza dos preços, as oscilações da inflação, a instabilidade dos fornecedores e a ausência de regras claras tornam o sector do empreendedorismo duro para quem tenta manter portas do negócio abertas.
“Dia do empreendedorismo feminino, empreender em Angola é um acto de coragem. É acordar todos os dias sem saber se o preço do produto será o mesmo, se o fornecedor vai cumprir, se o mercado vai virar do avesso outra vez. É viver num país onde a inflação muda o jogo a qualquer momento, onde não há regras claras, onde cada um faz como quer e nós, empreendedoras, temos de fazer como podemos”, começou por escrever.
Vanda destacou ainda, que já soma dez anos no mundo do empreendedorismo, onde a maior luta nem sempre é conquistar clientes, mas sim sobreviver ao próprio sistema. Numa economia onde o mercado muda “do dia para a noite”, diz que reinventar-se deixou de ser estratégia para se tornar rotina.
“Há 10 anos vivo este caminho, um caminho onde não basta ter um bom serviço ou uma boa ideia. Aqui, ser empreendedora é estar em estado de alerta constante: a procurar soluções não só para os clientes, mas para os problemas inesperados dentro do próprio negócio. A lutar não apenas para inovar, mas para não sair do mercado, porque, muitas vezes, a verdadeira batalha não é conquistar clientes é sobreviver ao próprio sistema, neste mercado complexo, duro, competitivo e por vezes desleal, reinventar-me deixou de ser estratégia. Tornou-se rotina, reinvento-me no produto, na marca, na criatividade, no marketing, reinvento-me para continuar, reinvento-me para não sucumbir, reinvento-me porque é isso que nós, mulheres, sempre fizemos, e talvez seja por isso que há 10 anos sigo firme: porque além de empreendedora, sou mulher”, disse.
Por: Airiana Mateus


