300 pessoas saem no primeiro voo de repatriamento do Gana

O Gana, uma das nacionalidades mais visadas pela violência xenófoba na África do Sul, fez esta quarta-feira, 27 de Maio, o primeiro voo de repatriamento, a partir de Joanesburgo. Um voo saiu do aeroporto OR Tambo, com 300 ganeses, o primeiro grupo de 800 pessoas que se registaram para o repatriamento, segundo o Alto-comissário do Gana, Benjamin Quashie.
O Gana, que tem uma comunidade estimada em 25 mil cidadãos na África do Sul, foi dos primeiros países a reagir oficialmente aos violentos protestos anti-imigração, organizados pelo movimento March and March, e aos ataques a lojas incitados pelo grupo Operation Du dula, termo que em zulu significa "empurrar" ou "expulsar".
Dois grupos diferentes, mas com a mesma retórica anti-imi gração, a que se juntou o Action SA, partido de Herman Masha ba, que recusa o rótulo de anti--imigração, alegando que a luta é contra a imigração ilegal.
Mas o que se observa nas redes sociais e nos meios de comunicação tradicionais é que o principal alvo do Operation Dudula e do March and March, que deu até 30 de Junho para os imigrantes indocumentados saírem do país, são cidadãos africanos, o que levou Julius Malema, líder do partido Economic Freedom Fighters (EFF), a rejeitar a narrativa de que os imigrantes de países como o Zimbabué e o Gana são responsáveis pelas dificuldades económicas locais. Malema, que se notabilizou pelo seu discurso contra a comunidade branca, alerta que os ataques contra os imigrantes são motivados por acusações injustificadas e manipulação política que aprofundam a divisão entre os africanos, acções que não criam emprego nem melhoram as condições económicas.
O movimento March and Mach ganhou tracção no último ano, graças a Jacinta Ngobese-Zuma, uma influenciadora digital zulu que usou o discurso anti-imigra ção como leitmotiv para lançar, em Março de 2025, uma iniciativa popular nas redes sociais que exige a deportação em massa de imigrantes ilegais até 30 de Junho, acusando-os de serem responsáveis pela elevada taxa de desemprego.
Já o grupo Operation Dudula tem como líder outra zulu, Zandile Dabula, uma mãe solteira que, aos 55 anos, ajudou a formar no Soweto o primeiro grupo que "viria a formalizar o que antes eram ondas esporádicas de ataques de vigilantes motivados por xenofobia na África do Sul" como descreve uma reportagem da BBC de Setembro de 2023.
"Já não é confortável para nós ficarmos aqui, por isso temos de ir embora", desabafou um cidadão do Gana, dono de um salão de beleza, à BBC. Após 10 anos a viver na África do Sul, regressou a casa, esta quarta-feira.
Actos criminosos
Na segunda-feira, após uma reu nião de emergência, a ministra da Justiça e Desenvolvimento, Mma moloko Kubayi, afirmou que as pessoas que protestam contra a imigração ilegal devem respeitar o Estado de Direito. Duas semanas antes, o Presidente Cyril Ra maphosa apelou aos sul-africanos que respeitem e cumpram as leis do país, enquanto o governo enfrenta o desafio da...


