À beira de uma crise humanitária, cidadãos apelam apoio do Governo angolano à Cuba

Num momento que Cuba está à beira de uma crise humanitária devido sanções impostas pela administração Trump, mais de 260 cidadãos angolanos direccionaram uma petição ao presidente João Lourenço, a fim de que possa “prestar apoio político, diplomático, material e humanitário ao povo cubano, com atenção especial às crianças e idosos”.
Os 263 signatários do documento justificam o apelo com a recordação da ajuda histórica de Cuba a Angola, especialmente: “apoio militar na defesa da soberania e integridade territorial angolana; participação na luta contra o apartheid sul-africano e cooperação nas áreas da educação, saúde e desenvolvimento social”.
A crise energética em Cuba atingiu níveis extremos há um mês, após o Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, impor uma tarifa a qualquer país que venda ou forneça petróleo àquele país insular.
Cuba, que produz apenas 40% do petróleo que utiliza, depende de aliados como a Venezuela, o México e a Rússia para colmatar o seu défice energético, fornecimento este que tem estado cada vez mais escasso.
Como consequência, a saúde também tem sido prejudicada com os cortes frequentes de energia eléctrica e a falta de combustível para abastecer as ambulâncias, arrastando o país para uma crise humanitária sem precedentes.
Na carta dirigida ao Chefe de Estado angolano, os signatários repudiam o bloqueio imposto a Cuba, considerando o mesmo como “cruel, ilegal e desumano, em vigor há mais de seis décadas”.
Manifestam, igualmente, “solidariedade para com o povo cubano”, recordando que “enfrenta uma situação agravada pelo corte no fornecimento de combustível, afectando gravemente escolas, hospitais, transportes, serviços públicos e a economia em geral”.
Condenam, igualmente, as medidas dos Estados Unidos, acusadas de impor sanções e pressões também sobre terceiros países que mantenham relações com Cuba, mesmo comerciais ou humanitárias.
Citado pela imprensa internacional, o Presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel afirmou que “só negociará com Washington em pé de igualdade, com base no respeito, e recusou-se a aceitar um acordo que ponha em causa a soberania do seu país”.


