Os membros do Comité de Diálogo 4+4 da Líbia chegaram, ontem, ao acordo sobre um mecanismo para nomear um novo chefe da Alta Comissão Nacional de Eleições (HNEC), depois da implementação de um processo previamente acordado ter sido paralisada.
O acordo foi alcançado durante a sétima reunião do comité na capital tunisina, Tunes, de acordo com um comunicado da Missão de Apoio das Nações Unidas na Líbia (UNSMIL). O comité estava a realizar consultas há meses, desde que a Representante Especial da ONU, HannaTetteh, informou ao Conselho de Segurança da ONU, a 22 de Abril, que se tinha reunido com um pequeno grupo de partes interessadas líbias para identificar formas de preparar o caminho para a implementação das duas primeiras fases do roteiro da ONU.
O roteiro, anunciado a 21 de Agosto de 2025, assenta em três pilares: a adopção de uma estrutura eleitoral tecnicamente sólida e politicamente aceitável para as eleições presidenciais e parlamentares, a unificação das instituições estatais através da formação de um novo governo unificado e o lançamento de um diálogo nacional estruturado.
A UNSMIL afirmou que os participantes na reunião de ontem, presidida por Tetteh, concordaram com um mecanismo para a nomeação do presidente da Alta Comissão Nacional de Eleições. “Continuaram também as consultas sobre as restantes disposições do projecto de acordo final, com todas as partes a concordarem em prosseguir com estas consultas na próxima semana em Tunes”, acrescentou o comunicado.
Durante a sua primeira reunião em Roma, a 29 de Abril, os membros do comité 4+4 concordaram em reconstituir o conselho da Alta Comissão Nacional de Eleições e recomendaram que o Procurador-Geral Al-Siddiq Al-Sour nomeasse um novo presidente da comissão de entre juízes experientes reconhecidos pela sua competência e imparcialidade.
No entanto, o comité anunciou posteriormente, durante a sua sexta reunião em Tunes, a 14 de Julho, que a implementação deste acordo tinha sido paralisada. O acordo mais recente faz parte dos esforços liderados pela ONU para criar condições para eleições com o objectivo de pôr fim à divisão política da Líbia.
Entretanto, a central de dessalinização de Zawiya, a maior do Oeste da Líbia, foi atacada este fim de semana com um drone de origem desconhecida, provocando uma fuga de água e danos nas condutas de transporte, informou a empresa nas redes sociais. O ataque, que não causou vítimas, ocorreu apenas 24 horas depois de a refinaria de Zawiya - a maior do país, com uma capacidade de produção de 120 mil barris por dia - ter sido atingida também por um drone, segundo informou, sábado, a empresa estatal num comunicado.
Os dois ataques ocorrem num contexto de confrontos constantes entre milícias do Oeste do país dividido - próximas do Governo de Unidade Nacional (GUN), liderado por Abdelhamid Dbeiba - , sobretudo em zonas próximas da capital, Trípoli, sendo Zawiya um dos principais alvos. Os membros do Conselho Municipal da localidade renovaram, hoje, o apelo feito na véspera, após o ataque à refinaria, para a abertura de uma investigação urgente "para identificar os autores morais e os diretamente envolvidos nos acontecimentos".
Investigação à morte do chefe dos serviços de inteligência
O Governo de Unidade Nacional da Líbia instou o procurador-geral, Al Siddiq Al Sour, a abrir uma investigação sobre o assassinato do major-general Fawzi Al Mansouri, chefe do Serviço de Inteligência Militar das forças baseadas no Leste da Líbia, descrevendo a sua morte como um “acto terrorista”.
O Governo condenou “o atentado terrorista que teve como alvo o major-general Fawzi Al Mansouri no bairro de Al SayyidaAisha, em Benghazi, na segunda-feira, e que resultou na sua morte”. Afirmou que a sua condenação do terrorismo e da violência continua a ser uma “posição nacional firme e baseada em princípios”.
Agressores desconhecidos mataram Al Mansouri com um engenho explosivo que tinha como alvo o seu veículo em Benghazi, no Leste da Líbia, disse um responsável de segurança à Anadolu. Al Mansouri serviu como comandante da Região Militar de Sabha desde 3 de Agosto de 2021, antes de o comandante das forças do Leste da Líbia, Khalifa Haftar, o nomear para chefiar a inteligência militar a 20 de Maio de 2024.



