Nova Delhi - O Presidente do Egipto, Abdel-Fattah El-Sisi, afirmou, este sábado, que a adesão do país ao grupo BRICS em Janeiro de 2024 abriu novas vias de cooperação com a Índia e outros Estados-membros.
Nova Delhi - O Presidente do Egipto, Abdel-Fattah El-Sisi, afirmou, este sábado, que a adesão do país ao grupo BRICS em Janeiro de 2024 abriu novas vias de cooperação com a Índia e outros Estados-membros.
Em um artigo publicado no Economic Times por ocasião de sua participação na 18ª Cúpula do BRICS em Nova Delhi, El-Sisi afirmou que o Egipto e a Índia vêem o BRICS como uma plataforma de cooperação, desenvolvimento e diálogo, e não como uma estrutura direccionada contra qualquer país ou grupo de países.
O estadista egípcio parabenizou a Índia por assumir a presidência do BRICS em 2026, afirmando que Nova Deli está a trabalhar para fomentar a cooperação entre os estados membros em meio aos actuais desafios geopolíticos e económicos globais.
“A Índia é um parceiro estratégico vital e uma nação influente tanto no cenário regional quanto global”, disse El-Sisi. Acrescentou que o Egipto também está bem posicionado para desempenhar um papel activo na parceria.
Destacou a localização geográfica do Egipto, a sua infra-estrutura e rede de portos e ligações de transporte, bem como os seus laços económicos e comerciais com o mundo árabe, a África e a Europa.
“Essas vantagens fornecem uma base sólida para impulsionar o comércio e a conectividade regional”, enfatizou El-Sisi, citado pelo portal Ahram Online.
Referiu que o Egipto acolhe com satisfação as iniciativas destinadas a fortalecer os laços económicos e a abrir novas vias para o comércio e o investimento , em particular através do Canal de Suez e da sua zona económica.
“A prosperidade do comércio global é alcançada por meio da integração e da criação de redes eficientes, resilientes e adaptáveis”, realçou, observando que tais redes atendem às crescentes necessidades da economia global.
Afirmou que essas redes também dão às empresas indianas acesso ao Egipto como um centro para o comércio global e cadeias de valor, bem como uma região para trânsito de energia, logística e conectividade.
“Também esperamos impulsionar a produção local e a transferência de tecnologia, assim como promover a cooperação em sectores de prioridade compartilhada, como o farmacêutico, o electrónico, o de auto-peças, o de energias renováveis, o de hidrogénio verde e o de TI”, disse.
El-Sisi também defendeu o fortalecimento dos laços entre universidades, instituições de pesquisa e centros de inovação.
Segundo o estadista, esses esforços proporcionariam aos jovens egípcios e indianos maiores oportunidades de aprendizado, criatividade e participação na construção da economia do futuro.
“O continente africano oferece oportunidades promissoras para a cooperação egípcio-indiana, que deve ser guiada pelas prioridades dos países africanos e pelas necessidades dos seus povos”, acrescentou.
Sublinhou que a cooperação egípcio-indiana também deve ajudar a desenvolver as capacidades produtivas dos países africanos, ampliar o acesso à tecnologia e ao conhecimento e apoiar o desenvolvimento sustentável.
“Aguardamos com expectativa uma parceria com a Índia que proporcione maior desenvolvimento e prosperidade para os nossos dois povos, fortaleça a paz e a estabilidade nas nossas respectivas regiões e contribua para a construção de uma ordem internacional mais justa e equilibrada”, disse.
Ao abordar a participação do Egipto no Novo Banco de Desenvolvimento, El-Sisi afirmou que isso também ajudou a diversificar os instrumentos disponíveis para apoiar a cooperação económica e para o desenvolvimento.
Escalada regional
No seu artigo, El-Sisi abordou os recentes desenvolvimentos regionais, afirmando que o Egipto manteve uma política de equilíbrio estratégico como princípio orientador da sua política externa em meio à “crescente competição e polarização internacional”.
Afirmou que a política externa do Egipto se baseava na tomada de decisões nacionais independentes, em parcerias diversificadas e em relações equilibradas com várias potências, guiadas pelo respeito mútuo e por interesses comuns.
“Nesse espírito, o Egipto continua a envidar todos os esforços possíveis para impedir a escalada do conflito, pôr fim aos conflitos e restaurar a segurança e a estabilidade no Oriente Médio”, disse.
Salientou que o Cairo sempre defendeu que a diplomacia, soluções políticas pacíficas e um diálogo regional abrangente são o caminho para a resolução de crises.
Sobre a causa palestina, El-Sisi afirmou que ela continua a ser fundamental para qualquer paz duradoura no Oriente Médio. Considerou que a paz e a segurança internacionais não podem ser mantidas sem um acordo justo e abrangente.
Tal acordo, referiu, deveria restaurar os direitos legítimos e inalienáveis do povo palestino, principalmente o direito de estabelecer um Estado independente nos moldes de 4 de Junho de 1967, com Jerusalém Oriental como a sua capital, em conformidade com o direito internacional e as resoluções pertinentes das Nações Unidas.
A participação de El-Sisi marca a terceira presença consecutiva do Egipto na cúpula do BRICS desde que ingressou no grupo em Janeiro de 2024. MCN



