“África deve ser tratada como parceira estratégica e não como fonte de matéria-prima”, defende especialista

O especialista em relações internacionais Horácio Simba afirmou, esta segunda-feira, 11, que África precisa de ser tratada como parceira estratégica nas relações internacionais e não apenas como fornecedora de matérias-primas para o desenvolvimento de outras economias.
Segundo o especialista, as actuais relações diplomáticas entre o continente africano e as grandes potências continuam marcadas por desequilíbrios estruturais, que acabam por reduzir o papel de África no cenário global.
“África continua, muitas vezes, a ser vista apenas como fonte de matérias-primas para o crescimento económico da Europa, Ásia e América, quando deveria ser encarada como parceira estratégica de igual importância”, afirmou.
Horácio Simba considera que a forma como são organizadas várias cimeiras internacionais demonstra essa desigualdade, sobretudo quando líderes africanos se deslocam frequentemente para encontros realizados fora do continente.
Para o analista, a realização de cimeiras com países africanos em território africano permitiria relações mais equilibradas e maior valorização das potencialidades económicas e diplomáticas de cada Estado.
“Se as cimeiras fossem realizadas de forma isolada com os países africanos, isso representaria mais respeito e uma relação de ‘tu para tu’”, defendeu.
O especialista entende ainda que a percepção internacional sobre África continua condicionada por interesses económicos ligados à extracção de recursos naturais.
“Quando África é tratada apenas como espaço de extracção de recursos ou destino de cimeiras globais, isso reduz a percepção da sua capacidade económica e diplomática”, sublinhou.
Horácio Simba apontou também o exemplo das cimeiras China–África, referindo que a forte deslocação de líderes africanos para reuniões fora do continente levanta dúvidas sobre o equilíbrio das relações de cooperação.
Apesar disso, reconheceu avanços nos últimos anos, destacando iniciativas como as cimeiras África–Estados Unidos e África–União Europeia realizadas em Angola, durante o período em que o país assumiu a presidência da União Africana sob liderança do Presidente João Lourenço.
Ainda assim, considera que a tendência dominante permanece desfavorável ao continente africano.
“África é um continente e não um país. As relações internacionais devem respeitar a sua dimensão, diversidade e importância estratégica”, concluiu.


