Pretória - O Governo sul-africano recorreu hoje ao Tribunal Constitucional do país para tentar impedir o leilão, nos Estados Unidos, de objectos que pertenceram a Nelson Mandela, argumentando que fazem parte do património nacional.
Pretória - O Governo sul-africano recorreu hoje ao Tribunal Constitucional do país para tentar impedir o leilão, nos Estados Unidos, de objectos que pertenceram a Nelson Mandela, argumentando que fazem parte do património nacional.
Esta batalha judicial, iniciada há quatro anos, envolve 29 objectos, desde a carteira de identidade do herói da luta contra o apartheid até algumas das emblemáticas camisas do ex-Presidente.
Uma casa de leilão americana, em colaboração com uma das filhas de Mandela, pretende colocar as peças à venda, avança a AFP.
A Agência de Recursos Patrimoniais da África do Sul (SAHRA) e o Ministério da Cultura solicitaram ao Tribunal Constitucional que declarasse ilegais as vendas e a exportação destas peças, alegando que devem permanecer na África do Sul.
Estes objectos “são considerados bens patrimoniais e a sua exportação sem autorização é ilegal”, afirmaram, segundo um resumo do caso publicado pelo tribunal.
Anunciado inicialmente em 2021, o leilão organizado por Guernsey’s, uma casa de leilões com sede em Nova Iorque, foi suspenso em 2022 após um processo iniciado pela SAHRA para recuperar o controlo de alguns destes bens.
Após a Justiça sul-africana dar sinal verde para a venda, voltou a ser anunciado em 2024, antes de ser suspenso novamente, enquanto o Governo seguia com as suas diligências para tentar impedi-lo.
O Tribunal Supremo de Apelação rejeitou, em Janeiro, as objecções da SAHRA, considerando que o organismo responsável pela protecção do património “deveria demonstrar em que medida cada um desses objectos constituía um bem patrimonial”, segundo o resumo.
Makaziwe Mandela, uma das filhas de Mandela, havia autorizado a venda com o objectivo de financiar a construção de um jardim memorial perto do túmulo do seu pai, na aldeia de Qunu.
Entre os demais objectos estão peças de vestuário, escritos e presentes oferecidos por Presidentes norte-americanos, entre os quais Barack Obama e Bill Clinton.
Mandela foi eleito o primeiro Presidente da África do Sul democrática, em Maio de 1994, e exerceu o cargo até Junho de 1999. Morreu em Dezembro de 2013, aos 95 anos. CV




