África e Caribe pressionam por reparações pela escravidão em conferência em Gana

Líderes africanos e caribenhos reunidos em Accra, capital de Ghana, defenderam esta Sexta-feira, 19, um novo impulso internacional para reparações pelo tráfico transatlântico de escravos, considerado pela ONU como o “crime contra a humanidade mais grave”.
A posição foi reforçada durante a conferência “Next Steps”, que juntou representantes de mais de 80 países e aprovou uma declaração a exigir que os antigos países envolvidos no tráfico de africanos escravizados apresentem um pedido de desculpas “completo, formal e incondicional”, visto como passo essencial para a justiça restaurativa e reconciliação histórica.
O debate ocorre na sequência de uma resolução histórica aprovada em março pela Organização das Nações Unidas, que reconhece formalmente a dimensão do crime e abre espaço para novas abordagens sobre reparações.
O Presidente ganês John Dramani Mahama afirmou que a decisão da ONU representa uma mudança de paradigma e defendeu que as consequências da escravidão continuam a refletir-se na desigualdade estrutural enfrentada pela África, pelo Caribe e pela diáspora africana.
“Nossas vozes permaneceram fragmentadas por décadas”, declarou, ao alertar para a necessidade de unidade política e diplomática entre os países afetados.
Entre as propostas discutidas anteriormente, em cimeiras realizadas em Gana, destaca-se a criação de um Fundo Global de Reparações, embora sem um modelo operacional definido.
O debate, no entanto, continua a dividir opiniões nos países historicamente ligados ao tráfico de escravos. Nos United States, por exemplo, sondagens indicam que a maioria da população ainda rejeita a ideia de compensações financeiras diretas a descendentes de pessoas escravizadas.
Ativistas e académicos defendem que eventuais reparações devem ir além de compensações monetárias, incluindo programas de desenvolvimento económico, restituição histórica e iniciativas estruturais para corrigir desigualdades herdadas do período colonial e escravocrata.
A conferência de Accra encerra assim com um apelo político mais assertivo: transformar o reconhecimento histórico em mecanismos concretos de compensação e justiça internacional.


