Adis Abeba - Os ministros da Saúde africanos adoptaram hoje um plano que compromete formar, empregar e reter mais de três milhões de profissionais da área no continente até 20235, com o objectivo de fortalecer os sistemas do sector no continente.
Adis Abeba - Os ministros da Saúde africanos adoptaram hoje um plano que compromete formar, empregar e reter mais de três milhões de profissionais da área no continente até 20235, com o objectivo de fortalecer os sistemas do sector no continente.
“A África comprometeu-se colectivamente em transformar um dos pilares fundamentais dos seus sistemas de saúde”, declarou o director regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para África, Mohamed Yakub Janabi, na 17ª sessão do Comité Regional da organização para o continente, que decorre em Adis Abeba.
Segundo Janabi, citado pela Inforpress, ao adoptar a Agenda Africana para a Força de Trabalho em Saúde 2026-2035, os estados-membros reconhecem que a formação de profissionais de saúde é apenas o começo.
Sublinhou que é também necessário criar oportunidades, apoiar e melhorar as condições dos profissionais.
Este plano também procura fortalecer os mercados de trabalho dos sistemas de saúde africanos “por meio de um melhor planeamento, educação, emprego e retenção”.
A agenda “exige investimentos coordenados para garantir que os países tenham a força de trabalho competente, motivada e bem apoiada para atender às crescentes necessidades de saúde” do continente africano, enfatizou.
As unidades sanitárias em África enfrentam falta de pessoas, estimando-se que um milhão de profissionais de saúde qualificados estejam desempregados, um problema que afecta particularmente os recém-formados, de acordo com a OMS.
Em diversos países de África, mais de metade dos enfermeiros, médicos e parteiras recém-formados não conseguem encontrar emprego logo após a graduação.
Esta realidade, segundo a OMS, demonstra a necessidade urgente de uma melhor coordenação na formação de profissionais de saúde com a criação de empregos, o financiamento sustentável e o planeamento a longo prazo.
Para colmatar esta lacuna, seria necessário um investimento adicional entre quatro e seis dólares por pessoa anualmente, o que geraria benefícios económicos e sociais significativos, uma vez que cada dólar investido em pessoal de saúde pode gerar um retorno de até USD 10.
“Estes dados reforçam a ideia de que investir em profissionais não é apenas uma prioridade para a saúde, mas também um investimento inteligente para o futuro da África”, concluiu a OMS.
Os ministros chegaram a este compromisso após um êxodo crescente para o norte global nos últimos anos de profissionais de saúde africanos em busca de novas oportunidades diante da falta de recursos, das más condições de trabalho e da escassez de empregos nos seus países.
A reunião de Adis Abeba, que se estende até sexta-feira, também ocorre quando há cortes drásticos na ajuda internacional impostos pelos Estados Unidos e vários países europeus desde o ano passado, que colocaram em risco a saúde e a vida de milhões de pessoas em todo o mundo, especialmente em África. MCN




