Analista aponta viragem estratégica na política económica de Moçambique com visita de Chapo à China

A deslocação do Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, à China está a ser interpretada como um sinal claro de mudança na estratégia económica do país, com aposta na diversificação de parceiros e redução da dependência das instituições financeiras internacionais.
A leitura é do analista político e jurídico Alexandre Chivale, que, em declarações à Rádio Correio da Kianda, considerou que a visita representa uma “viragem” face ao modelo seguido na última década, fortemente influenciado pelo Fundo Monetário Internacional e pelo Banco Mundial.
Segundo explicou, o primeiro ano de governação de Daniel Chapo, em 2025, foi marcado por esforços de estabilização política e preparação de reformas estruturais com vista à independência económica.
“O Presidente tem insistido no trabalho como instrumento central para alcançar a autonomia económica”, referiu, destacando que essa orientação tem sido constante desde a campanha eleitoral.
Para Chivale, ultrapassada a fase inicial de consolidação interna, o chefe de Estado avança agora para uma redefinição da cooperação internacional, procurando parceiros alternativos que ofereçam soluções mais alinhadas com as necessidades do país.
Nesse contexto, a China surge como um parceiro estratégico, com um histórico de apoio ao desenvolvimento de infra-estruturas em Moçambique. O analista recorda que, nas últimas duas décadas, vários projectos estruturantes foram financiados por Pequim, incluindo iniciativas no sector da comunicação, como a digitalização da televisão.
A agenda presidencial em território chinês foi, segundo destacou, fortemente orientada para a economia, com visitas a empresas e empreendimentos capazes de contribuir para a resolução de desafios concretos do país.
Outro dado relevante, acrescentou, é a dimensão da comitiva empresarial que acompanhou o Presidente, considerada a maior já registada em deslocações do género, o que evidencia o peso estratégico da missão.
Após a China, Daniel Chapo seguiu para a Etiópia, país que o analista considera uma referência africana no sector da aviação. O objectivo, segundo disse, passa por identificar parcerias que permitam revitalizar a companhia aérea nacional, LAM, actualmente em dificuldades.
Além da aviação, Chivale destacou oportunidades de cooperação nas áreas da educação e das infra-estruturas, sublinhando os avanços da Etiópia no desenvolvimento do capital humano e em grandes projectos, como barragens.
Na sua avaliação, estas deslocações demonstram a intenção do Presidente moçambicano de reposicionar o país no cenário internacional, apostando numa política externa mais pragmática e orientada para resultados, com a independência económica como principal meta.


