A Argélia decidiu cortar formalmente as suas relações diplomáticas com os Emirados Árabes Unidos (EAU). De acordo com informações avançadas pela televisão estatal argelina, a medida extrema foi adoptada após o governo de Argel ter esgotado todos os canais e meios diplomáticos disponíveis para preservar os laços bilaterais entre as duas nações.
O clima de tensão entre Argel e Abu Dhabi vinha a agravar-se de forma acentuada nos últimos meses, alimentado por profundas divergências relacionadas com a segurança regional e acusações mútuas de interferência em assuntos de política interna. Analistas internacionais apontam que esta ruptura poderá reconfigurar as alianças estratégicas no Norte de África e no Médio Oriente.
Histórico de tensões e segurança regional
As relações bilaterais já davam sinais de desgaste severo desde o ano passado. O Presidente argelino, Abdelmadjid Tebboune, havia declarado publicamente que a cooperação com este Estado do Golfo Pérsico não acompanhava o dinamismo das relações mantidas com outros parceiros da região, como o Qatar, o Kuwait, Omã e a Arábia Saudita. Na ocasião, o chefe de Estado argelino acusou implicitamente o país de promover acções destinadas a desestabilizar a segurança interna da Argélia.
A escalada de desentendimento culminou também na suspensão de acordos operacionais fundamentais. As autoridades argelinas iniciaram o processo de cessação do acordo de serviços aéreos que ligava os dois países desde 2013, tendo notificado formalmente a Organização da Aviação Civil Internacional sobre a decisão de encerrar as ligações aéreas directas.




