A Argélia anunciou que o seu embaixador regressaria ao Mali, num aparente sinal de degelo nas relações após mais de um ano de atrito diplomático desencadeado pelo abate de um drone maliano por Argel.
A Argélia abateu o drone em Abril de 2025, alegando que este tinha atravessado o seu espaço aéreo – uma acusação negada pelo Mali, o que provocou uma série de retiradas recíprocas de embaixadores e o encerramento do espaço aéreo. Kamel Retieb, que era embaixador no Mali antes de a Argélia o retirar do cargo após a disputa em Abril de 2025, retomaria as suas funções, anunciou o Ministério dos Negócios Estrangeiros argelino em comunicado. Ambos os países emitiram também comunicados com teor semelhante, na sexta-feira, confirmando a reabertura do espaço aéreo. O Mali acrescentou no seu comunicado que o seu embaixador regressaria a Argel e que o seu espaço aéreo seria reaberto "a todas as aeronaves civis e militares" de ou para o seu vizinho do Norte. O Ministério da Defesa da Argélia afirmou que a sua decisão entrou em vigor na sexta-feira, e "inclui todos os voos de e para o Mali através de vários destinos internacionais". O Mali está mergulhado numa crise de segurança desde 2012, com grandes partes do país a serem vítimas de gangues criminosas e terroristas. No ano passado, os governantes do Mali anunciaram o fim de um acordo de paz de 2015 com os separatistas liderados pelos tuaregues, que foi mediado por Argel, citando a "hostilidade" argelina. Entretanto, o eExército do Mali retomou o controlo da importante cidade de Anefis, no Norte do país, após quase uma semana de combates contra um grupo de terroristas, informou, ontem, o exército. Terroristas ligados à Al-Qaeda e separatistas liderados por tuaregues lançaram, há uma semana, ataques coordenados no Mali, reivindicando o controlo da cidade, mas sem conseguir capturar um acampamento militar no local. Paramilitares do Corpo Africano da Rússia e um contingente de soldados malianos permaneceram entrincheirados no acampamento que continuaram a defender. Os reforços chegaram, na quinta-feira, à noite e retomaram Anefis, que fica a cerca de 100 quilómetros da cidade de Kidal, controlada por terroristas. "Posso afirmar que as tropas malianas e os parceiros do Corpo Africano romperam os obstáculos e chegaram a Anefis para reforçar as nossas tropas que estavam em terra", disse à AFP uma fonte militar do Mali. Bamako recebe apoio do senegalO Presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye, ofereceu, ontem, um apoio de segurança "inabalável" ao vizinho Mali, durante a sua visita ao Presidente do Mali, o general Assimi Goita. A visita de Faye para se encontrar com Goita é a sua primeira viagem desde que foi nomeado presidente do bloco regional da África Ocidental, a CEDEAO. No entanto, a reunião foi sobretudo bilateral e Faye não estava acompanhado por outros membros da CEDEAO, disseram fontes diplomáticas à AFP. Separatistas tuaregues e um grupo terrorista ligado à Al Qaeda têm levado a cabo ataques coordenados contra as autoridades malianas nos últimos meses. Após a sua visita, Faye expressou "a condenação inequívoca e mais firme do Senegal a estes actos hediondos, cobardes e bárbaros, que se tornam cada vez mais frequentes". Em Abril, os terroristas tomaram a cidade estratégica de Kidal, no norte do país, e assassinaram também o ministro da Defesa do Mali, Sadio Camara. "Reitero que o Senegal está pronto para apoiar o Mali durante esta provação, para que juntos possamos enfrentar os múltiplos desafios e ameaças à paz e à estabilidade em toda a região e no Sahel em geral", disse Faye. O líder do Mali, Goita, não fez qualquer comentário público. Aliança dos Estados do SahelJuntamente com o Níger e o Burkina Faso, o Mali abandonou a CEDEAO em Janeiro de 2025, depois de se terem unido para formar a sua própria confederação, a Aliança dos Estados do Sahel (AES). Sob a administração de Goita, o Mali afastou-se da sua antiga potência colonial, a França, que manteve uma presença militar no país da África Ocidental durante vários anos. Entretanto, o antigo Primeiro-Ministro do Mali, Moussa Mara, fez um apelo à unidade nacional, à reconciliação e à empatia após cumprir um ano de prisão. Na sua primeira mensagem pública após a libertação, Mara apelou aos malianos para se perdoarem mutuamente e manifestou preocupação com o desaparecimento do seu advogado, mantendo-se a incerteza sobre o seu futuro político.




