Bamako — Pelo menos quarenta e oito pessoas morreram num ataque atribuído a combatentes ligados ao Estado Islâmico na região de Ménaka, no leste do Mali, segundo informações divulgadas nesta terça-feira por um dirigente tuaregue e membro do Conselho Nacional de Transição. Entre as vítimas encontram-se crianças e pessoas idosas.
O ataque terá ocorrido durante a noite de domingo para segunda-feira, em localidades da região de Ménaka, uma zona marcada pela presença de grupos armados e pela disputa pelo controlo do território. As informações iniciais indicam que os atacantes acusaram os habitantes de fornecerem informações ao Exército maliano sobre as posições dos combatentes.
A organização conhecida como Estado Islâmico na Província do Sahel actua sobretudo no leste do Mali e em zonas dos países vizinhos, incluindo o Níger e o Burkina Faso. O grupo enfrenta também a concorrência de uma organização armada ligada à Al-Qaeda, num cenário de violência que tem dificultado a segurança das populações.
Segundo a informação divulgada pela Associated Press, o Exército maliano anunciou ter localizado uma importante base do grupo, situada a cerca de sessenta e cinco quilómetros a sudoeste da cidade de Ménaka. As forças militares afirmaram que a posição foi atingida depois de analisadas informações de inteligência, tendo sido identificados equipamentos e abastecimentos logísticos no local.
O ataque contra civis surge num contexto de acusações de abusos cometidos por forças favoráveis ao Governo. Uma reportagem da Reuters, baseada em fontes de segurança e responsáveis locais, apontou para possíveis represálias após operações contra pessoas suspeitas de colaborarem com os combatentes. As circunstâncias exactas e o número definitivo de vítimas permanecem sujeitos a confirmação independente.
A violência no Sahel continua a constituir um dos maiores desafios de segurança da África Ocidental. Apesar de os governos do Mali, do Burkina Faso e do Níger terem reforçado as operações militares e procurado apoio externo, os ataques contra comunidades rurais, a destruição de habitações e o roubo de animais continuam a provocar deslocações de populações e a agravar a insegurança alimentar.




