Banco Central chinês promove yuan digital como alternativa ao SWIFT no espaço lusófono

O Banco Popular da China (PBC) está a defender a adopção do yuan digital (e-CNY) nas operações financeiras e comerciais com os países de língua portuguesa, numa iniciativa que procura acelerar pagamentos transfronteiriços, reduzir custos de transacção e criar uma alternativa ao sistema internacional de pagamentos SWIFT.
A estratégia insere-se no esforço mais amplo de internacionalização da moeda chinesa e de reforço da presença financeira de Pequim em mercados considerados estratégicos, incluindo os países lusófonos africanos, como Angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau.
Segundo o banco central chinês, a expansão do yuan digital tem registado avanços significativos através da criação de infra-estruturas dedicadas às operações internacionais, suportadas por plataformas tecnológicas focadas em pagamentos digitais transfronteiriços e soluções baseadas em blockchain.
O objectivo passa por disponibilizar um sistema de pagamentos mais rápido, eficiente e menos oneroso para empresas e instituições financeiras, reduzindo simultaneamente a dependência dos mecanismos tradicionais de compensação internacional dominados pelo dólar norte-americano.
Desenvolvido desde 2014, o yuan digital tornou-se a primeira moeda digital emitida por um banco central a atingir uma fase avançada de implementação. Os testes começaram em diversas cidades chinesas em 2019 e, desde então, o projecto tem evoluído para um ecossistema capaz de suportar pagamentos online e offline, execução de contratos inteligentes e mecanismos de supervisão considerados mais transparentes pelas autoridades chinesas.
Para o Banco Popular da China, a utilização do e-CNY poderá contribuir para reduzir significativamente os custos e os prazos associados às transferências internacionais, um aspecto particularmente relevante para economias que mantêm relações comerciais crescentes com a China.
A iniciativa surge num momento em que Pequim procura consolidar a sua influência económica nos mercados emergentes, combinando investimentos em infra-estruturas, financiamento ao desenvolvimento e expansão de soluções tecnológicas. Nos países africanos de língua portuguesa, a China mantém uma presença relevante em sectores como energia, construção, telecomunicações, transportes e mineração, o que poderá facilitar uma eventual adopção de instrumentos financeiros denominados em yuan.
Do ponto de vista estratégico, a expansão do yuan digital representa mais do que uma inovação tecnológica. Trata-se de um instrumento que poderá reforçar o papel internacional da moeda chinesa e reduzir a predominância do dólar no comércio global, num contexto marcado pela crescente competição geoeconómica entre as principais potências mundiais.
Embora a utilização internacional de moedas digitais emitidas por bancos centrais ainda se encontre numa fase inicial, a China posiciona-se actualmente como um dos países mais avançados neste domínio, procurando transformar a sua liderança tecnológica numa vantagem competitiva no sistema financeiro global.
Neste contexto, o Banco Popular da China tem vindo a intensificar os incentivos e as orientações dirigidas ao sector bancário para ampliar a utilização do yuan digital em múltiplas áreas de actividade, com particular enfoque nos pagamentos transfronteiriços e no comércio internacional.


