Candidato apoiado pelo presidente colombiano reconhece derrota eleitoral e felicita adversário pró Trump

O candidato da esquerda às eleições presidenciais na Colômbia, Iván Cepeda, reconheceu hoje, 24, a vitória do adversário da extrema-direita, Abelardo de la Espriella, três dias após a segunda volta mais renhida da história eleitoral do país.
“Como candidato do Pacto Histórico e a Aliança pela Vida, tal como anunciei na altura e nesta fase da contagem dos votos, decidi aceitar o resultado que decorre desse processo e que indica que Abelardo de la Espriella é o novo Presidente da República”, afirmou Cepeda numa conferência de imprensa.
O político de esquerda assegurou ter tomado a decisão com base num “ato de responsabilidade democrática” e afirmou que pretende contribuir “para a convivência, a paz e o diálogo entre os colombianos”.
Segundo a contagem preliminar divulgada no domingo, dia em que decorreu a segunda volta das eleições presidenciais, Iván Cepeda, candidato apoiado pelo Presidente cessante Gustavo Petro, foi derrotado por uma diferença inferior a um ponto percentual (49,7% – correspondente a 12,9 milhões de votos – contra 48,7%).
“Faço-o porque acreditamos profundamente na democracia e porque estamos convictos de que as diferenças políticas devem ser resolvidas através da participação dos cidadãos, do respeito pelas instituições e do debate público”, afirmou o político.
Cepeda destacou ainda o equilíbrio do resultado eleitoral, afirmando que “a votação revela uma diferença extraordinariamente reduzida entre as duas opções que disputaram a confiança do povo colombiano”.
O país vive uma onda de protestos que começaram na noite de domingo, após o anúncio dos resultados eleitorais preliminares da segunda volta presidencial, e degeneraram em confrontos com a polícia em Bogotá e Cali, a terceira maior cidade do país.
A imprensa local notícia que milhares de manifestantes saíram às ruas sob o lema “Resistência”, contestando a vitória tangencial de De la Espriella, apoiado politicamente pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.
Ao mesmo tempo, enquanto De la Espriella discursava perante apoiantes na cidade de Barranquilla, manifestantes queimavam pneus e bandeiras dos Estados Unidos em diferentes pontos do país.
A eleição de De la Espriella, advogado e empresário de 47 anos que promete uma agenda ultraliberal centrada na segurança e na redução da intervenção do Estado na economia, aprofundou a polarização política no país e desencadeou uma das mais expressivas vagas de protestos desde a divulgação dos resultados eleitorais.
De la Espriella prometeu uma “nova era” na Colômbia após os resultados preliminares lhe darem a vitória na segunda volta das presidenciais por uma margem apertada, levando o país, assolado pela violência de grupos armados, a uma viragem à direita.
Com a vitória de De la Espriella, a Colômbia, o maior produtor mundial de cocaína, torna-se o mais recente país latino-americano a inclinar-se para a direita, seguindo os passos da Argentina, Chile e Equador, cujos líderes, alinhados com Washington, não tardaram a felicitá-lo.





