CDC África defende investimento próprio no combate ao Ebola no continente

O Director Executivo do Africa CDC, Jean Kaseya, defendeu que o continente africano deve reforçar o investimento com recursos próprios para enfrentar surtos de doenças como o Ebola, reduzindo a dependência externa na produção de vacinas e tratamentos.
Segundo o responsável, a resposta internacional às emergências sanitárias continua desigual e condicionada por interesses globais, sublinhando que, caso surtos semelhantes afetassem outras regiões mais desenvolvidas, o desenvolvimento de soluções médicas seria mais rápido.
“Se esse surto tivesse afectado a Europa, os Estados Unidos ou outros continentes, já teríamos desenvolvido uma vacina e um tratamento”, afirmou.
O alerta surge no contexto do atual surto de Ebola, que já terá provocado mais de 200 mortes entre 894 casos confirmados, com cerca de 36 mil pessoas identificadas como contactos de risco desde 15 de maio. As autoridades admitem, contudo, que o número real pode ser superior devido a atrasos na deteção e notificação dos casos.
Os esforços de contenção têm sido dificultados pela ausência de vacinas ou tratamentos licenciados específicos para a estirpe envolvida, o vírus Bundibugyo, além de desafios operacionais no rastreamento de contactos.
Na província de Ituri, no leste da República Democrática do Congo, profissionais de saúde enfrentam condições complexas, incluindo resistência de parte da população e insegurança, enquanto continuam os enterros de vítimas, incluindo crianças.
Jean Kaseya alertou ainda que o “paciente zero” ainda não foi identificado e que o rastreamento de milhares de contactos permanece incompleto, o que dificulta o controlo do surto e pode prolongar a propagação da doença.
O responsável defendeu que as sucessivas crises sanitárias, como a COVID-19, evidenciam a necessidade de fortalecer a capacidade africana de produção de vacinas e medicamentos, embora reconheça que os progressos nessa área ainda sejam limitados.
“Precisamos cuidar de nós mesmos… é hora de pensarmos seriamente em como produzir remédios e vacinas para atender às nossas necessidades”, concluiu.


