Maputo - O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, apontou hoje o fim do terrorismo em Cabo Delgado e a garantia de paz e segurança no país como prioridades para proteger crianças deslocadas.
Maputo - O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, apontou hoje o fim do terrorismo em Cabo Delgado e a garantia de paz e segurança no país como prioridades para proteger crianças deslocadas.
Respondendo às perguntas dos deputados da VIII sessão do Parlamento Infantil, Chapo afirmou que, se pudesse resolver dois problemas para melhorar a vida das crianças, escolheria primeiro acabar com o terrorismo em Cabo Delgado e depois garantir a paz e segurança em todo o país.
"A primeira coisa que eu gostaria de fazer que vocês não falaram é resolver o terrorismo em Cabo Delgado para crianças pararem de sofrer", disse Chapo, depois de chamar a atenção dos deputados infantis para a necessidade de desenvolver empatia pelas crianças afectadas pelo conflito.
O Presidente explicou que as crianças afectadas pelo terrorismo enfrentam deslocações sucessivas, dificuldades para permanecer na escola e falta de estabilidade nas comunidades, defendendo que não devem ser esquecidas nos debates nacionais sobre os direitos da infância.
"A segunda e última coisa que está relacionado com isto que acabo de dizer para que não haja crianças deslocadas é paz e segurança para todo Moçambique", acrescentou o chefe de Estado.
Durante as respostas às questões dos deputados infantis, o chefe de Estado abordou também os acidentes de aviação, defendendo a continuidade das medidas de prevenção, depois de uma pergunta sobre a segurança dos transportes.
Sobre o consumo de bebidas alcoólicas, Chapo admitiu a possibilidade de vir a ser exigida a identificação através do bilhete de identidade na compra de álcool, mas condicionou a medida à conclusão da campanha de atribuição gratuita de BI, para garantir primeiro que todos os cidadãos tenham acesso ao documento.
O Presidente referiu ainda medidas em curso para reduzir o número de crianças fora da escola devido ao trabalho infantil e às uniões prematuras, além dos esforços para melhorar o acesso a medicamentos, combater o roubo de fármacos no Sistema Nacional de Saúde e reforçar o saneamento nas comunidades.
Chapo afirmou igualmente que o Governo continuará a trabalhar na protecção das crianças contra a violência, nas leis relativas às uniões prematuras e gravidezes precoces e na criação de condições para que as raparigas tenham acesso à higiene menstrual, defendendo também a participação das famílias, comunidades e sociedade civil.
No encerramento da sessão, que decorreu na Assembleia da República, Chapo prometeu que, antes da próxima edição do Parlamento Infantil, o Governo apresentará às crianças um balanço sobre o cumprimento das recomendações aprovadas nesta edição, indicando o que foi realizado, o que continua pendente e as razões dos atrasos.
"Não queremos que, na próxima Sessão, as crianças voltem apenas a repetir os mesmos problemas", afirmou o Presidente.
A crise humanitária decorre da insurgência que afecta Cabo Delgado, província rica em gás, desde Outubro de 2017.
Segundo dados divulgados anteriormente pelo Armed Conflict Location & Event Data Project (ACLED), foram registados 2.408 eventos violentos desde o início do conflito, dos quais 2.224 envolvendo elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM), provocando mais de 6.600 mortos. CV




