CNT rejeita regresso da Guiné-Bissau à CPLP e acusa Portugal de ingerência

O Conselho Nacional de Transição (CNT) afirmou esta Quarta-feira, 10, que a Guiné-Bissau não tem qualquer interesse em regressar à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), acusando a organização de funcionar como instrumento de influência geopolítica ao serviço dos interesses de Portugal.
A posição foi divulgada através de um comunicado lido em Bissau pelo porta-voz do organismo, Fernando Vaz, um dia após o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Rangel, ter reiterado o empenho da CPLP no restabelecimento da normalidade institucional na Guiné-Bissau e no apoio à realização de novas eleições.
No documento, o CNT sustenta que a dignidade e a independência do povo guineense foram conquistadas através da luta de libertação nacional e não dependem da avaliação ou validação de organismos internacionais.
O órgão de transição recorda igualmente que a CPLP nunca financiou processos eleitorais no país, sublinhando que as últimas eleições foram realizadas quase integralmente com recursos provenientes do Orçamento Geral do Estado. Segundo o comunicado, o mesmo princípio será seguido nas próximas eleições, que serão organizadas e financiadas pela própria Guiné-Bissau.
“O financiamento dos processos eleitorais pela Guiné-Bissau demonstra a sua capacidade de assumir plenamente as suas responsabilidades soberanas, rejeitando qualquer tentativa de condicionamento externo”, refere o texto.
O CNT considera ainda que a suspensão da Guiné-Bissau da CPLP constituiu uma decisão “abusiva, ilegal e antiestatutária”, alegando que a medida não respeitou os mecanismos de consenso previstos nos estatutos da organização.
No comunicado, o órgão reage também às declarações do chefe da diplomacia portuguesa sobre uma eventual reavaliação da suspensão do país. Para o CNT, a posição da CPLP traduz uma atitude paternalista que coloca em causa a soberania nacional.
“A Guiné-Bissau não se vergará a exames de bom comportamento ditados por potências estrangeiras”, afirma o documento, acrescentando que o país continuará o seu percurso de desenvolvimento com base nos princípios da independência e da autodeterminação.
O Conselho Nacional de Transição acusa ainda Portugal de procurar interferir nos assuntos internos guineenses e nos processos judiciais nacionais, advertindo que não aceitará qualquer forma de ingerência externa.
O comunicado termina reiterando que todas as decisões relativas ao futuro político da Guiné-Bissau competem exclusivamente às suas instituições e ao povo guineense.


