Comerciantes acumulam prejuízos após fecho da fronteira entre Uganda e RDC devido ao Ebola

Comerciantes ugandenses e congoleses estão a enfrentar prejuízos significativos na sequência do encerramento da fronteira entre Uganda e a República Democrática do Congo (RDC), medida adoptada para conter a propagação do vírus Ebola.
Entre os afectados está Leah Masika, comerciante ugandense que viu a sua carga de bananas ficar retida num longo comboio de camiões junto ao posto fronteiriço de Mpondwe. Sem autorização para atravessar a fronteira, a mercadoria começou a deteriorar-se devido ao calor e ao tempo de espera.
“Todos os nossos bens estão a apodrecer”, lamentou a comerciante, enquanto aguardava uma decisão das autoridades para permitir a passagem dos veículos.
Uganda encerrou a fronteira no dia 27 de Maio, cerca de duas semanas após a declaração de um surto de Ebola na província de Ituri, no leste da RDC. Inicialmente, as autoridades permitiam algumas excepções por razões humanitárias, de segurança ou para o transporte de mercadorias, mas as restrições foram posteriormente reforçadas.
A decisão das autoridades do distrito fronteiriço de Kasese gerou frustração entre os comerciantes que dependem do comércio transfronteiriço para garantir o sustento das suas famílias.
Segundo dados do Escritório de Estatística de Uganda, o posto fronteiriço de Mpondwe foi, em 2023, o principal ponto de exportações informais do país, movimentando cerca de 131 milhões de dólares.
As autoridades justificam as medidas com a necessidade de impedir a entrada irregular de pessoas através das dezenas de trilhas não controladas existentes ao longo da fronteira.
De acordo com Arafat Bwambale, agente de vigilância em Kasese, existem pelo menos 32 pontos de travessia não oficiais na zona de Mpondwe, o que aumenta o risco de propagação da doença.
Enquanto as autoridades reforçam o controlo sanitário, comerciantes de ambos os lados da fronteira continuam a contabilizar perdas e a pedir soluções que permitam conciliar a proteção da saúde pública com a continuidade das actividades económicas.


