Crédito à economia em Angola ultrapassa 9 biliões de kwanzas e cresce 15,6% em Abril

O crédito bruto concedido ao sector não-financeiro em Angola atingiu 9 biliões de kwanzas (8,33 mil milhões de euros) em Abril, registando um crescimento homólogo de 15,6%, numa evolução que reflecte a expansão do financiamento à economia e o aumento da procura de crédito por parte do sector privado.
Os dados constam da mais recente nota de informação estatística divulgada pelo Banco Nacional de Angola (BNA), que revela uma dinâmica positiva do crédito bancário num contexto de recuperação da actividade económica e de reforço do financiamento aos sectores produtivos.
O sector privado continuou a absorver a maior fatia dos recursos disponibilizados pelo sistema financeiro, concentrando 84,1% do crédito total. O stock de crédito destinado a empresas privadas e particulares atingiu 7,3 biliões de kwanzas (6,8 mil milhões de euros), representando um aumento de 959 mil milhões de kwanzas (898 milhões de euros) face ao período homólogo, equivalente a uma expansão de 15,1%.
Já o endividamento do sector privado, incluindo empresas e famílias, aumentou em 773,7 mil milhões de kwanzas (725 milhões de euros), passando de 6,8 biliões de kwanzas (6,3 mil milhões de euros) em Abril de 2025 para 7,6 biliões de kwanzas (7,1 mil milhões de euros) em Abril deste ano.
O comportamento do crédito sugere uma maior participação do sector privado na dinâmica económica, um indicador acompanhado de perto pelas autoridades monetárias e pelos investidores, uma vez que o acesso ao financiamento continua a ser um dos principais desafios para o crescimento empresarial em Angola.
Por outro lado, o sector público não financeiro registou um endividamento de 1,4 biliões de kwanzas (1,3 mil milhões de euros), dos quais 65,8% correspondem à administração pública e 34,2% às empresas públicas.
Um dos indicadores mais relevantes do relatório do BNA é a evolução do crédito destinado ao sector real da economia. O montante financiado atingiu 1,8 biliões de kwanzas (1,6 mil milhões de euros), traduzindo um crescimento de 17,9% em termos homólogos.
A expansão foi impulsionada principalmente pela indústria extractiva, seguida da indústria transformadora e das actividades ligadas à agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca. O desempenho destes sectores é particularmente significativo num momento em que Angola procura acelerar a diversificação económica e reduzir a dependência das receitas petrolíferas.
A evolução do crédito ao sector real é igualmente vista como um indicador da capacidade do sistema financeiro em canalizar recursos para actividades geradoras de valor, emprego e produção interna. O reforço do financiamento à indústria e à agricultura tem sido apontado como um dos factores essenciais para aumentar a competitividade da economia e reduzir a dependência das importações.
Os dados divulgados pelo banco central sugerem uma trajectória de crescimento sustentado do crédito, com destaque para o papel crescente do sector privado e das actividades produtivas na absorção dos recursos financeiros disponíveis, reforçando as perspectivas de dinamização da economia angolana ao longo de 2026.


