Cuba sofre novo apagão nacional em menos de 24 horas

A rede nacional de energia de Cuba registou, esta segunda-feira, um novo apagão nacional, o segundo em menos de 24 horas e o sétimo a afectar toda a ilha desde o início do ano.
Segundo a agência Lusa, a empresa estatal Unión Eléctrica (UNE) explicou que a falha ocorreu durante o processo de restabelecimento do Sistema Electroenergético Nacional (SEN), na sequência de eventos meteorológicos que provocaram danos na rede eléctrica e desligaram várias unidades geradoras. A empresa, tutelada pelo Ministério da Energia e Minas, garantiu que continua a trabalhar intensamente para normalizar o fornecimento de energia e restabelecer o sistema o mais rapidamente possível. Na noite de domingo, uma desconexão total do SEN deixou sem corrente eléctrica cerca de nove milhões de habitantes da ilha. Ao meio-dia de segunda-feira, a UNE informou que já havia restabelecido o fornecimento de energia em parte de Havana, incluindo 19 hospitais e outros serviços essenciais, como o abastecimento de água.O director do Centro Nacional de Distribuição, Félix Estrada, explicou que o restabelecimento do sistema é um processo gradual, podendo demorar mais de 24 horas. Segundo o responsável, a recuperação começa com fontes de arranque simples, como centrais solares, hidroeléctricas e motores de geração, antes de alimentar as centrais termoeléctricas, que constituem a principal fonte de produção de electricidade no país. A crise energética em Cuba resulta da reduzida capacidade de produção eléctrica e do embargo norte-americano, que, segundo o Governo cubano, dificulta a importação de petróleo bruto e seus derivados.As autoridades reconhecem que a situação da rede eléctrica é "aguda, crítica e extremamente tensa", devido ao envelhecimento das infra-estruturas e à forte dependência de importações de combustíveis. De acordo com estimativas oficiais, Cuba necessita de mais de 100 mil barris de petróleo por dia, mas produz internamente apenas cerca de 40 mil. O último carregamento externo chegou em Março, transportado por um navio russo sancionado pelos Estados Unidos, com aproximadamente 730 mil barris, quantidade suficiente para apenas duas semanas de consumo. A persistente escassez de energia tem afectado severamente a economia cubana, paralisando grande parte da actividade estatal. As previsões apontam para uma contracção económica de 6,5% este ano, depois de uma queda acumulada superior a 15% nos últimos cinco anos.


