O Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, afirmou, na sexta-feira, que o seu país está “profundamente preocupado e envergonhado” pela forma como os grupos de vigilantes trataram os cidadãos estrangeiros durante os recentes protestos anti-imigração que obrigaram milhares a fugir do país.
“Não podemos nos submeter à intimidação e ao assédio de pessoas vistas como vindas de outros lugares (outros países)”, disse Ramaphosa, ao proferir um discurso de abertura numa palestra pública da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), em Durban, antes da 46.ª Cimeira ordinária dos Chefes de Estado da SADC.
O estadista acrescentou: “Como sul-africanos, estamos profundamente preocupados e envergonhados com o facto de cidadãos de outros países terem sido sujeitos, nos últimos meses, a discriminação e maus-tratos, sendo mesmo forçados a abandonar o país sob ameaça de violência.”
Nos últimos meses, grupos de vigilantes na África do Sul intensificaram as suas campanhas contra os imigrantes indocumentados, realizando protestos e visitando casas, empresas e locais de trabalho para exigir documentos de identificação e pressionar os imigrantes a abandonar o país. As campanhas foram também acompanhadas por relatos de violência, intimidação, encerramento forçado de empresas e pilhagens, enquanto milhares de migrantes de países como o Malawi, Moçambique, Ghana, Nigéria e Zimbabwe já regressaram a casa através de repatriamento voluntário ou deportação.
Há muito que a África do Sul atrai migrantes de todo o continente, mas a migração tornou-se uma questão política e económica cada vez mais controversa.




