Dmitry Medvedev afasta diálogo com a Ucrânia e acusa Ocidente de pirataria financeira

O vice-presidente do Conselho de Segurança da Federação Russa, Dmitry Medvedev, afirmou que a Rússia não vê utilidade em manter conversações directas com a Ucrânia, alegando que o país vizinho é controlado por forças externas. Durante a sua intervenção no Fórum Jurídico Internacional de São Petersburgo, o governante comparou as sanções aplicadas pelo Ocidente a actos de pirataria moderna e alertou para o risco de um conflito global decorrente das actuais tensões geopolíticas.
Segundo o dirigente russo, a dependência do governo de Kiev em relação aos seus financiadores ocidentais anula qualquer possibilidade de um diálogo em pé de igualdade. Medvedev referiu que a liderança ucraniana entregou o território nacional a forças externas para servir de base militar em troca de apoio financeiro. Na sua visão, quaisquer negociações futuras devem ser realizadas directamente com as potências que coordenam as acções de Kiev, e não com o que classificou de governo vassalo.
Adicionalmente, o antigo presidente russo sublinhou que o mandato de Vladimir Zelensky expirou, o que, de acordo com a sua interpretação do direito internacional, retira ao líder ucraniano qualquer imunidade diplomática ou legitimidade para representar o Estado em processos de negociação oficial.
Acusações de pirataria e sanções económicas
No plano económico, Dmitry Medvedev classificou as sanções ocidentais contra bens e activos russos como uma usurpação ilegal de propriedade privada e estatal. O político comparou estas medidas coercivas a acções de pirataria clássica, descrevendo-as como uma redistribuição forçada de recursos alheios. Moscovo assegurou que já preparou medidas de retaliação caso os seus activos financeiros no estrangeiro sejam definitivamente confiscados pelas nações ocidentais.
O governante também dirigiu fortes críticas às instituições financeiras multilaterais, como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial. Medvedev acusou estas entidades de praticarem um modelo de colonialismo financeiro, através da concessão de empréstimos com condições severas que endividam progressivamente as nações em desenvolvimento, retirando-lhes margem de manobra soberana.
Outro ponto de destaque no discurso de Medvedev foi o anúncio de que a Rússia irá recorrer ao Tribunal Internacional de Justiça contra os países bálticos, devido a alegadas discriminações e violações dos direitos das populações de língua russa. O processo pré-judicial terá sido concluído no final de Maio, abrindo caminho para a formalização das queixas em Haia.
Por fim, o vice-presidente do Conselho de Segurança criticou a proliferação de bases militares da Organização do Tratado do Atlântico Norte fora dos seus territórios tradicionais. Na sua óptica, estas infra-estruturas não garantem a segurança dos países que as acolhem, transformando-os, pelo contrário, em alvos militares prioritários em caso de escalada de hostilidades no xadrez internacional.



