Madrid - O chefe da diplomacia espanhola, José Manuel Albares, denunciou hoje que "mega-influenciadores conservadores" como Elon Musk tentaram dividir os espanhóis e a Europa com a crise migratória em Ceuta, descrevendo-a como "uma invasão" de homens em idade militar.
Madrid - O chefe da diplomacia espanhola, José Manuel Albares, denunciou hoje que "mega-influenciadores conservadores" como Elon Musk tentaram dividir os espanhóis e a Europa com a crise migratória em Ceuta, descrevendo-a como "uma invasão" de homens em idade militar.
Segundo o portal Notícias ao Minuto, José Manuel Albares emitiu estas declarações durante a comparência no Congresso para informar sobre as acções do seu ministério após a entrada ilegal em massa de migrantes na cidade espanhola de Ceuta, num período de 24 horas no final de Julho, procedentes de Marrocos.
O ministro afirmou que esses "mega-influenciadores conservadores" falavam de "uma invasão", ignorando que havia entre os migrantes mulheres, crianças e, tragicamente, pessoas que morreram na travessia a nado.
Como exemplo, referiu as publicações do magnata Elon Musk, proprietário da rede social X, sobre o enclave espanhol norte-africano e salientou que, em 11 dias, estas ultrapassaram os 724 milhões de visualizações e meio milhão de comentários.
Apontou também uma mensagem publicada na rede social X pelo ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sybiha, a 01 de Agosto, em que este documentava como as redes de desinformação russas estavam também a explorar intensamente a crise migratória para desinformar e para dividir a Europa e os europeus.
O responsável da diplomacia espanhola indicou que, nos primeiros dias da crise em Ceuta, os utilizadores norte-americanos "foram o segundo grupo mais activo, a seguir aos espanhóis", e que o que "exportaram" não era informação, tendo tentado ao invés disso impor a narrativa "do colapso da segurança e a denúncia de uma ameaça à civilização".
"Não é uma coincidência que entre 27 de Julho e 10 de Agosto, 52% das conversas na rede social X sobre este tema tenham sido em espanhol, mas cerca de 40% tenham sido em inglês", vincou.
"Este movimento migratório tem sido explorado conscientemente nas plataformas digitais, sabendo-se que isso divide os europeus e é combustível eleitoral para os partidos de extrema-direita", sustentou.
Também em Espanha se propagaram nas redes sociais mensagens de ódio, prosseguiu o ministro.
"As mentiras e os boatos matam: matam pessoas – já o vimos, matam a convivência, se não as enfrentarmos, e matam a democracia", advertiu.
Salientou que houve igualmente desinformação na origem da crise, uma vez que circularam em Marrocos e noutros países do norte de África a 30 de Julho e nos dias anteriores mensagens falsas a afirmar que era permitida a entrada em Espanha.
E realçou que o "fracasso total" da nova convocatória para a entrada de migrantes feita para 15 de Agosto se deveu em parte à "capacidade do Governo espanhol de combater esses rumores com informação imediata e verdadeira".
No mesmo dia, Marrocos também mobilizou as suas forças de segurança para impedir que mais pessoas atravessassem para território espanhol. MCN



