Esposa do ex-primeiro ministro espanhol Sanchez proibida de sair do país

A mulher do Ex-Primeiro Ministro de Espanha Pedro Sanchez, está proibida de ausentar-se do país, depois de ver o seu passaporte confiscado pelas autoridades judiciais. Segundo o jornal Observador, Begoña Gómez vai ser julgada por júri popular, acusado do crime de tráfico de influências e corrupção, depois que o juiz sugerir que guarda-costas de Begoña poderiam ajudá-la a escapar.
Begoña Gómez vai ser julgada por um tribunal de júri, decidiu o juiz de instrução Juan Carlos Peinado e avançou a imprensa espanhola. A mulher de Pedro Sánchez foi acusada em Abril por quatro crimes, nomeadamente tráfico de influências, corrupção nos negócios, desvio de fundos públicos e apropriação indevida. O seu passaporte foi agora confiscado e Begoña Gómez não pode deixar o país, no quadro das medidas cautelares das quais vai recorrer, avançam fontes próximas do caso.
O juiz do caso foi alvo de processo disciplinar por temer que guarda-costas ajudassem mulher do primeiro-ministro a fugir à justiça.
Em Abril deste ano, o juiz Juan Carlos Peinado decidiu acusar Begoña Gómez por estes quatro crimes e sugeriu que a mulher do primeiro-ministro espanhol devia ser julgada por um tribunal de júri — na prática, um júri popular. Depois de este magistrado se pronunciar, a defesa de Begoña Gómez e o Ministério Público espanhol tinham também de se manifestar.
A sua defesa argumentou contra a ida a julgamento com o júri popular, enquanto o Ministério Público pediu que a liberdade de movimento de Begoña Gómez fosse restringida. Em reacção, o Governo de Pedro Sánchez considerou esta uma “medida incompreensível”, afirmou à época a porta-voz Elma Saiz citada pelo jornal espanhol El País.
Entretanto, a RTP explica que a decisão tomada pelo juiz Peinado não é ainda definitiva, tendo de ser revista por uma instância superior.
De acordo com o jornal ABC, a 15 de Junho a defesa compareceu em tribunal para apresentar os seus argumentos contra o julgamento por júri popular. O juiz Peinado deixou depois a decisão no ar durante cinco dias, até agora: a mulher do líder espanhol vai mesmo a julgamento (além de ficar sem passaporte e de ter de se apresentar em tribunal a cada 15 dias). E não vai sozinha, já que no caso está também indiciada a sua assistente, Cristina Álvarez.
Fontes citadas pela agência de notícias espanhola EFE avançaram entretanto que Begoña Gómez vai recorrer das medidas cautelares impostas pelo juiz Peinado. No entanto, vai mesmo ser ouvida em tribunal, uma vez que não é possível recorrer dessa decisão.
Segundo o jornal El País, a decisão de Peinado teve por base todas as petições da associação de direita e católica Hazte Oír, uma das entidades que apresentou queixa neste processo judicial e que pedia 24 anos de prisão para Begoña Gómez, no âmbito de uma alegada rede de influência que lhe é atribuída. Nesta associação, Hazte Oír, estão incluídos grupos de extrema-direita como o partido Vox, lê-se no El País.
O juiz Peinado considera que há “motivos razoáveis para suspeitar de actividade criminosa” por parte da mulher de Sánchez e, além disso, acredita que existe risco de tentativa de “escapar da Justiça” espanhola, indica, citado pelo El País.


