O principal enviado do Presidente norte-americano, Donald Trump, para África, pediu à ONU que estenda o embargo de armas do Darfur a todo o Sudão, alertando que a guerra pode alastrar-se a toda a região.
O Conselho de Segurança da ONU “deve agir para impedir que o apoio financeiro e militar externo às partes envolvidas, como drones e tecnologias relacionadas, entre no Sudão”, disse Massad Boulos.
Os ataques com drones estão a intensificar-se, com o Exército e as Forças de Apoio Rápido (RSF) paramilitares a serem acusados de os utilizar. Agora no seu quarto ano, o conflito já matou dezenas de milhares de pessoas e obrigou outras 14 milhões a fugir das suas casas.
Mas um embargo de armas mais amplo exigiria uma votação do Conselho de Segurança, com a Rússia e a China a oporem-se à medida. Disseram que isso afectaria a eficácia do Exército sudanês. O enviado do Sudão à ONU concordou, acrescentando que isso enfraqueceria a protecção dos civis.
O Exército controla grande parte das regiões Central e Oriental do Sudão, enquanto a RSF tem a sua sede na região ocidental do Darfur e controla também áreas no Sul. Enquanto o Conselho de Segurança da ONU ouvia apelos sobre o embargo de armas, foi noticiado que o Exército realizou ataques com drones contra posições das Forças de Apoio Rápido (RSF) em Nyala, no Darfur.
O Aeroporto de Nyala tornou-se um dos principais centros logísticos do grupo paramilitar, e o ataque ocorreu horas depois de um grande voo de carga ter aterrado na cidade.
Um embargo de armas que abrange a região do Darfur está em vigor há mais de duas décadas e expirará no próximo mês, se não for alterado ou renovado. Os observadores dizem que parece ter havido pouco impacto para travar o fluxo de armas para o Darfur, que testemunhou alguns dos piores combates desde que o conflito eclodiu em Abril de 2023.
A violência étnica, testemunhada há 20 anos, reacendeu-se no Darfur, com os especialistas da ONU a afirmar que as atrocidades alegadamente cometidas por combatentes das Forças de Apoio Rápido (RSF) quando tomaram a cidade de el-Fasher, em Outubro passado, mostraram as "características" de genocídio. Na reunião do Conselho, o responsável humanitário da ONU, Tom Fletcher, alertou que os combates nas últimas semanas foram "caracterizados pelo uso intenso de drones".
RosemaryDiCarlo, subsecretária-geral da ONU para os Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz, disse ao Conselho que os civis estavam a enfrentar "as consequências implacáveis de uma das piores crises humanitárias do nosso tempo". O uso contínuo de "armamento sofisticado" apontava para o apoio externo contínuo a ambos os lados, acrescentou ela.
Detidos numa cadeia fazem greve de fome
Mais de 80 detidos numa cadeia em Porto Sudão, no Nordeste do Sudão, iniciaram uma greve de fome, por tempo indeterminado, para protestar contra a "obstrução sistemática" dos seus processos judiciais ao longo dos anos.
“Oitenta e três detidos na prisão central de Porto Sudão, no estado do Mar Vermelho, iniciaram hoje, às seis da manhã, uma greve de fome por tempo indeterminado em protesto contra a violação do seu direito constitucional e legal a um julgamento justo e célere”, afirmou o Observatório Al-Jazira para os Direitos Humanos em comunicado.
A Organização Não-Governamental (ONG) denunciou que a situação se deve à "obstrução" dos seus processos judiciais e ao facto de haver apenas um único juiz encarregado de julgar todos os casos, o que levou a que grande parte dos detidos tenha passado quase dois anos atrás das grades sem qualquer condenação. Mais de 250 pessoas, entre as quais acusados de colaborar com o grupo paramilitar das Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês), encontram-se a aguardar julgamento desde o início da guerra, em 15 de Abril de 2023, segundo o Observatório.
Além disso, a organização indicou que os réus de Porto Sudão - região controlada pelo Exército sudanês - entregaram um memorando às autoridades prisionais a expor as suas reivindicações, sublinhando que todos enfrentam acusações que podem ter como pena a condenação à morte, e denunciando que continuam detidos por tempo indeterminado sem qualquer julgamento à vista.
Os réus já tinham feito chegar anteriormente uma queixa ao presidente do Conselho Soberano e líder do Exército sudanês, Abdel Fattah al-Burhan, na qual detalhavam as suas condições na prisão e os maus-tratos sofridos após serem acusados de colaborar com as RSF.




