Continuar a ler
O Supremo Tribunal acaba de negar um pedido do Departamento de Justiça norte-americano para invalidar a decisão de uma juíza em Boston, que recusou aos Correios norte-americanos a ideia de cumprir a medida de impedir o voto por correspondência devido à disputa judicial.
Com esta medida, a instância judicial que não permite recurso derrubou o plano de Trump mais antigo deste que perdeu as eleições em Novembro de 2020 para Joe Biden, atribuindo o desaire eleitoral à fraude permitida pelo voto através do Serviço Postal.
Se essa acusação serviu para Donald Trump justificar a derrota, agora que está de novo na Casa Branca desde Janeiro de 2025, acreditando nas falhas que colou a este sistema de votação não presencial, procura antecipar uma justificação para a derrota que todas as sondagens lhe atribuem nas eleições intercalares de Novembro próximo.
Para justificar esta decisão, o Supremo, que tem uma larga maioria dos seus nove juízes por si escolhidos, declarou publicamente ser "claramente pouco provável" que o Departamento de Justiça, a mando de Donald Trump, consiga ganhar a batalha judicial da sua contestação à injunção do tribunal de Boston.
Recorde-se que, muito por causa dos efeitos das guerras na Ucrânia, primeiro, e agora no Médio Oriente, a inflação tem vindo a subir de forma substantiva, os combustíveis estão em máximos históricos para os consumidores e para piorar ainda mais o cenário, a fasquia perigosa dos 5% nos títulos do Tesouro a 10 anos foi ultrapassada esta semana, atingindo o seu nível mais alto deste 2023.
Com a generalidade das sondagens a atribuir uma derrota quase certa do Partido Republicano de Donald Trump, este procura, segundo analistas como os académicos de referência Jeffrey Sachs ou John Mearsheimer, antecipar um conjunto de explicações para o falhanço que em tudo se deve às suas opções desde que regressou ao poder.
E agora com esta decisão do Supremo, os estados norte-americanos vão poder continuar a enviar boletins de voto por correio segundo os mesmos processos em isso há décadas, que chegam a ultrapassar um terço dos votos.
Mas há outra vertente desta estratégia que justifica, segundo analistas, esta insistência de Trump, que é estar a preparar já eventuais disputas judiciais voto a voto antecipando a possibilidade de nalguns estados haver essa disputa milimétrica e esta situação beneficiar os Republicanos, que estão e vias de perder as eleições.
E ao perderem as eleições, Trump perde a maioria na Câmara dos Representantes, seguramente, e provavelmente o Senado, o que o deixaria com dois anos de mandato restante em brasa, com um Congresso hostil e onde a oposição Democrata já o ameaçou de que vai abrir diversos processos de destituição (impeachment).
Em cima da mesa os Democratas têm pronos processos de destituição por ter lançado a guerra contra o Irão, com Israel, sem informar o Congresso, como exige a Constituição, e ainda porque prometeu e comprometeu-se com a libertação dos Ficheiros Epstein, que agregam dados sobre o maior escândalo mundial de pedofilia, onde o seu nome é dos mais citados, e até hoje não o fez...



