França posiciona-se como parceiro estratégico do gás em Moçambique

O advogado moçambicano especializado em direito das sociedades, Alexandre Chivale, considera que as competências empresariais francesas estão alinhadas com as necessidades actuais de desenvolvimento económico de Moçambique, particularmente no sector energético.
Em entrevista, o jurista destaca que o país se prepara para colher benefícios significativos da exploração de gás natural liquefeito (GNL), um dos maiores projectos energéticos em África, liderado por empresas como a TotalEnergies.
Segundo Chivale, a experiência francesa em sectores como energia, infraestruturas e engenharia constitui uma vantagem competitiva num momento em que Moçambique enfrenta desafios técnicos e institucionais para transformar recursos naturais em crescimento sustentável.
O projecto de gás na bacia do Rovuma, considerado estratégico, deverá impulsionar receitas públicas e atrair investimento estrangeiro, com impacto directo no Produto Interno Bruto (PIB). De acordo com o Banco Mundial, Moçambique poderá tornar-se um dos principais exportadores mundiais de GNL na próxima década, caso mantenha estabilidade política e segurança nas regiões de exploração.
No entanto, especialistas alertam para riscos associados à chamada “maldição dos recursos”, defendendo a necessidade de reforço da governação, transparência e diversificação económica. O Fundo Monetário Internacional também sublinha que a gestão eficiente das receitas do gás será determinante para evitar desigualdades e garantir benefícios sociais alargados.
Para Chivale, a cooperação com parceiros como a França deve ir além da exploração de recursos, incluindo transferência de tecnologia, formação de quadros locais e desenvolvimento de cadeias de valor internas.



