A resposta ao surto de Ébola na República Democrática do Congo (RDC) enfrenta novas dificuldades com a entrada em greve de profissionais de saúde que denunciam o não pagamento de salários há mais de três meses.
A paralisação levou, na quinta-feira, 13, ao encerramento temporário do Centro de Tratamento de Nizi, na província de Ituri, no leste do país, numa altura em que as equipas de vigilância procuram intensificar o rastreamento de contactos e a identificação de novos casos.
Em Nizi, as equipas de saúde recebem diariamente entre 60 e 70 alertas e percorrem as comunidades à procura de pessoas que possam ter estado em contacto com casos suspeitos ou confirmados.
Gédéon Banga Ngbape, responsável pelo rastreamento de contactos na região, aponta a falta de remuneração e as limitações de mobilidade como alguns dos principais obstáculos ao trabalho das equipas de campo. Segundo o responsável, se o sistema de vigilância não funcionar adequadamente, toda a resposta ao surto fica comprometida.
A agente comunitária de saúde Ana Ndroy Kasime denuncia, por sua vez, a falta de equipamentos básicos de protecção para os profissionais que realizam visitas domiciliárias, sensibilizam as comunidades e comunicam possíveis casos às autoridades sanitárias.
Dados das autoridades indicam que o surto já provocou 4.381 casos confirmados e 2.011 mortes. O actual surto foi declarado oficialmente a 15 de Maio, embora análises de sequenciamento genético indiquem que a transmissão terá começado em Fevereiro.
Além da greve e da falta de equipamentos, a resposta enfrenta ameaças de grupos rebeldes, resistência de comunidades afectadas por conflitos prolongados e circulação de desinformação.
O surto é provocado pelo vírus Ebola Bundibugyo, uma variante rara para a qual, segundo as informações divulgadas, ainda não existem vacinas ou tratamentos aprovados, embora estejam em curso testes.
Com profissionais sem salários, limitações de mobilidade e dificuldades no rastreamento de contactos, as autoridades sanitárias enfrentam o desafio de manter a vigilância activa e impedir que o surto continue a avançar.



