Guiné-Bissau: Cenário Político Volta a Aquecer com Crise Interna nos Principais Partidos

O cenário político da Guiné-Bissau voltou a ficar marcado por fortes tensões e movimentações nos principais partidos políticos, numa altura em que o país atravessa um período de transição e se prepara para possíveis eleições legislativas e presidenciais previstas para dezembro.
No Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), o congresso extraordinário promovido por um grupo de militantes que contesta a liderança de Domingos Simões Pereira, inicialmente previsto para arrancar este sábado, acabou por ser adiado.
O chamado “grupo de reflexão”, integrado por dirigentes do PAIGC ligados ao Governo de transição, justificou o adiamento com a ordem de proibição de aglomerações decretada pelo Alto Comando Militar, na sequência dos acontecimentos de 26 de novembro passado, classificados pelas autoridades como tentativa de golpe de Estado.
Os organizadores do encontro apelam agora ao levantamento das restrições para avançarem com o congresso, no qual prometem apresentar uma nova liderança para o partido histórico guineense.
Entretanto, fontes internas do PAIGC apontam outras razões para o recuo, alegando falta de apoio das bases partidárias ao congresso. Há ainda quem sustente que o grupo decidiu privilegiar o diálogo com a atual direção do partido.
No Movimento para a Alternância Democrática (Madem G-15), a instabilidade também regressou ao centro das atenções. Uma nova decisão do Tribunal Regional de Bissau colocou em causa o congresso extraordinário que elegeu Satu Camará como líder da formação política, em agosto de 2024.
Segundo informações avançadas pelo portal Capital News, a ala liderada por Satu Camará dispõe agora de 20 dias para contestar judicialmente a decisão. O partido permanece dividido em duas alas rivais, envolvidas em disputas judiciais desde 2024.
Já no Partido da Renovação Social (PRS), multiplicam-se informações sobre negociações entre os dois principais grupos internos, um liderado por Fernando Dias da Costa e outro por Félix Nandunge.
As conversações visam reunificar as bases do partido fundado pelo falecido ex-presidente Kumba Ialá, que também enfrenta divisões internas desde 2023.
A sucessão de crises e disputas internas nos maiores partidos políticos guineenses aumenta a incerteza sobre o futuro político do país, numa fase decisiva para a estabilização institucional e preparação do próximo ciclo eleitoral.


