Dezenas de pessoas da diáspora guineense protestaram, sábado, em Lisboa, contra o referendo à revisão da Constituição na Guiné-Bissau, marcado para 30 de Agosto, que vêem como uma forma de “branquear uma situação de golpe de Estado”.
Convocado por activistas da comunidade guineense em Portugal, o protesto foi realizado, ontem à tarde, no Marquês de Pombal, seguindo em cortejo até à Praça dos Restauradores, acompanhado por palavras de ordem como “abaixo o referendo”, “abaixo os golpistas” e “abaixo os assassinos”, entre várias bandeiras nacionais da Guiné-Bissau e do PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde).
“Estamos aqui para nos levantar contra um referendo que sabemos ter sido encomendado por este poder político instalado à força desde o golpe de Estado do dia 26 de Novembro de 2025 na Guiné-Bissau”, afirmou à agência Lusa Mariano Quade, 51 anos, que se apresentou como activista da sociedade civil guineense residente em Portugal.
Na base do protesto está o golpe militar realizado no final do ano passado, que resultou na criação de um Conselho Nacional de Transição e na redacção de uma nova Constituição – com mais poderes destinados ao Presidente da República e menos lugares no Parlamento -, a ser submetida a uma consulta popular que os principais partidos guineenses tencionam boicotar.
“Este referendo não faz qualquer sentido, primeiro porque é organizado por golpistas, segundo porque não integra a sociedade civil, não integra os partidos políticos, não envolve a sociedade em si, para uma reflexão e para uma decisão clara sobre o seu futuro”, segundo Mariano Quade, que lamenta igualmente que a diáspora guineense esteja proibida de votar.




