GUN nega envolvimento em assassinato de Saif al-Islam Kadhafi

A imprensa líbia avançou esta terça-feira, 3, a morte de Saif al-Islam Kadhafi, filho do antigo líder líbio Muammar Kadhafi, alegadamente assassinado por quatro indivíduos nas imediações da cidade de Zintan, no oeste da Líbia. As circunstâncias do caso permanecem pouco claras e, até ao momento, não houve confirmação oficial por parte das autoridades centrais do país.
Na sequência das informações divulgadas, a 444.ª Brigada uma formação militar afiliada ao Governo de Unidade Nacional (GUN), sediado em Trípoli reagiu prontamente, rejeitando qualquer envolvimento no alegado assassinato. Em comunicado, a força classificou as acusações como infundadas e alertou para o risco de especulação num contexto já marcado por elevada tensão política e securitária.
Saif al-Islam Kadhafi foi uma das figuras mais controversas do período pós-2011 na Líbia. Durante os anos finais do regime do pai, chegou a ser visto como um potencial sucessor e rosto reformista, tendo estudado no estrangeiro e participado em negociações que aproximaram o país do Ocidente. Contudo, com o início da revolta popular de 2011, alinhou com a repressão do regime, o que levou o Tribunal Penal Internacional a emitir um mandado de captura por alegados crimes contra a humanidade.
Após a queda de Trípoli e a morte de Muammar Kadhafi, Saif al-Islam foi capturado por uma milícia em Zintan, onde permaneceu detido durante vários anos. Em 2015, foi condenado à morte por um tribunal líbio, sentença que nunca chegou a ser executada. Libertado em 2017 ao abrigo de uma lei de amnistia, manteve-se afastado da vida pública, embora tenha tentado regressar à cena política ao candidatar-se às eleições presidenciais de 2021, acabando por ser excluído do processo.
A alegada morte de Saif al-Islam ocorre num contexto de persistente instabilidade na Líbia, país que continua dividido entre diferentes autoridades políticas e militares mais de uma década após o colapso do regime de Kadhafi. Analistas consideram que o episódio pode reacender tensões latentes e expõe, uma vez mais, a fragilidade do sistema de segurança e da reconciliação nacional.


