O Presidente da Zâmbia, Hakainde Hichilema, garantiu um segundo mandato com mais de 2,9 milhões de votos, anunciou a Comissão Eleitoral na manhã de ontem.
Hichilema, de 64 anos, derrotou o seu principal adversário nas eleições presidenciais da passada quinta-feira, Brian Mundubile, do Partido da Restauração Nacional para a Unidade e o Progresso (NRPUP), que obteve 1,8 milhões de votos, ultrapassando em muito o limite constitucional de 50% mais um voto para a maioria.
“Obrigado, Zâmbia. Estamos verdadeiramente honrados pela confiança que depositaram em nós para ocupar o cargo mais alto da nossa nação e servi-los mais uma vez”, disse Hichilema, numa publicação no Facebook pouco depois de o presidente da Comissão Eleitoral da Zâmbia, Mwanagala Zaloumis, o ter declarado Presidente eleito no centro eleitoral nacional na capital, Lusaka.
Zaloumis afirmou que a vitória de Hichilema foi tão convincente que os resultados de mesas de voto selecionados nos restantes cinco círculos eleitorais do país, dos 226 existentes, não teriam um impacto significativo no resultado final. As ruas de Lusaka fervilhavam muito antes do anúncio da vitória de Hichilema e permaneceram animadas durante muito tempo depois, com pessoas de todas as classes sociais a encher as ruas, enfrentando o frio da manhã numa celebração jubilosa.
“Senhor Presidente, por favor, continue a ser o bom líder que é para este país. O povo da Zâmbia demonstrou mais uma vez a sua confiança e crença na sua liderança”, disse aos jornalistas Collins Maoma, presidente da formação política patrocinadora de Hichilema, o Partido Unido para o Desenvolvimento Nacional (UPND).
A Zâmbia tem um historial de transições pacíficas de poder. Desde o regresso à democracia multipartidária, em 1991, as transições presidenciais ocorreram através das urnas. Não é claro se a oposição contestará o resultado das eleições. Mundubile tinha alegado anteriormente que houve discrepâncias entre os resultados das mesas de voto e os anunciados oficialmente, e afirmou que houve envolvimento militar nos centros de apuramento.
Na segunda-feira, Mundubile descreveu a invasão de sexta-feira por militares armados na sua casa, em Lusaka, dizendo que derrubaram o portão com um veículo blindado, partiram portas e janelas e abriram fogo. Negou as alegações de que armas militares de alta qualidade estavam armazenadas em sua casa, bem como a presença de qualquer milícia, como alegaram as autoridades.
Mulambo Haimbe, agente eleitoral de Hichilema e membro sénior do UPND, disse que as declarações de Mundubile sobre o incidente “não estavam correctas”. Afirmou ainda que os tribunais analisariam as várias questões caso o partido da oposição contestasse o resultado das eleições.
Um dia após a votação, a comissão eleitoral suspendeu brevemente a contagem e o anúncio dos resultados, citando relatos de violência contra funcionários das mesas de voto e o roubo de boletins de voto já preenchidos em algumas zonas.
Os observadores regionais e internacionais descreveram o dia das eleições como amplamente pacífico e instaram todos os lados a manterem a calma e a respeitarem o processo oficial.
Presidente João Lourenço felicita o vencedor
O Chefe de Estado angolano felicitou, ontem, o homólogo zambiano, Hakainde Hichilema, pela sua reeleição nas presidenciais da última quinta-feira.
“Tendo sido eleito para um novo mandato de Presidente da República da Zâmbia, em eleições realizadas no dia 13 de Agosto do corrente ano, felicito Vossa Excelência pela vitória obtida em resultado da escolha do Povo zambiano, que renovou a confiança no candidato que lhe garante um futuro previsível e as condições necessárias para realizar os seus anseio de progresso e desenvolvimento”, escreve João Lourenço, na mensagem de felicitações enviada a Hakainde Hichilema.
Essas eleições, segundo o Presidente João Lourenço, reflectem a “maturidade democrática” do povo zambiano, num contexto de disputa eleitoral em que sobressaiu fundamentalmente a preservação do interesse nacional, o patriotismo e o respeito pela decisão soberana dos eleitores.
“Transmito-lhe os nossos melhores votos de sucesso na missão que vai continuar a cumprir com o mesmo empenho e determinação que o caracterizam, esperançoso de que durante este mandato continuaremos a trabalhar conjuntamente para aprofundar as relações de cooperação bilateral e realizar projectos que impulsionem o desenvolvimento dos nossos dois países”, escreveu ainda o estadista angolano, dirigindo-se ao homólogo zambiano.




