Israel critica presidente sul-coreano após divulgação de vídeo sobre abusos contra palestinos

Israel entrou em rota de colisão diplomática com o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, após este ter partilhado um vídeo que levanta suspeitas de abusos cometidos por forças israelenses contra palestinos.
A polémica teve início quando Lee Jae Myung publicou, na rede social X, um vídeo que mostra soldados israelenses a empurrarem um corpo aparentemente sem vida de um edifício, na cidade de Qabatiya, na Cisjordânia ocupada, em setembro de 2024. Na publicação, o presidente sul-coreano questionou a veracidade das imagens e apelou ao esclarecimento dos factos.
A reacção de Israel foi imediata. Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros israelense criticou o líder sul-coreano, acusando-o de “desenterrar” um caso antigo e de contribuir para a disseminação de informações consideradas “anti-Israel”.
Segundo a Al Jazeera, o vídeo foi verificado e mostra soldados a empurrarem pelo menos três palestinos de um telhado, num incidente que terá causado indignação internacional na altura. O Ministério das Relações Exteriores palestino classificou o acto como “crime”, sublinhando que, à luz do direito internacional, os mortos devem ser tratados com dignidade.
Por sua vez, Israel afirmou que o caso foi “investigado e resolvido”, sem avançar detalhes sobre eventuais sanções aplicadas aos militares envolvidos.
Dados da organização Action on Armed Violence indicam que cerca de 88% das investigações relacionadas com alegados abusos cometidos por forças israelenses em Gaza e na Cisjordânia são encerradas sem acusações ou conclusões de irregularidades.
Face à escalada de tensão diplomática, o Ministério dos Negócios Estrangeiros sul-coreano procurou amenizar a situação, esclarecendo que a posição do presidente reflecte uma preocupação geral com os direitos humanos universais, e não uma crítica dirigida especificamente a Israel.
O episódio reacende o debate internacional sobre a actuação militar israelense nos territórios palestinos e o respeito pelos direitos humanos em contextos de conflito armado.


