Israel/Palestina: Condenação geral para estratégia camuflada de Telavive para anexar Cisjordânia

Depois de arrasar Gaza (ver links em baixo), com um rasto de mais de 75 mil mortos, centenas de milhares de feridos e mais de 80% dos edifícios do território esmagados pela força das bombas, Israel vira-se agora para a Cisjordânia num movimento que visa impedir a emergência de um Estado da palestina como múltiplas resoluções das Nações Unidas exigem que aconteça.
Numa reacção em uníssono, agora foram os vizinhos árabes e islâmicos de todo o mundo, como a Indonésia ou o Paquistão, que avançam com uma rejeição total e condenam as medidas de Israel na Cisjordânia.
Como aponta a Lusa, os oito países árabes e islâmicos rejeitaram por unanimidade as recentes medidas de Israel na Cisjordânia ocupada, em especial o registo de terras ou a sua designação como "terras estatais", que classificaram como uma "escalada grave".
Num comunicado conjunto, os ministérios dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita, Jordânia, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Indonésia, Paquistão, Egipto e Turquia consideraram que as medidas "visam impor um novo estatuto legal e administrativo para consolidar o controlo [israelita] dos territórios [palestinianos] ocupados".
"Também têm como objetivo minar a solução de dois Estados, destruir as perspetivas de estabelecer um Estado palestiniano independente e viável e pôr em perigo as oportunidades de alcançar uma paz justa e abrangente na região", lamentam.
Os chefes da diplomacia dos oito países advertiram igualmente no comunicado, ainda segundo noticia a Lusa, que "rejeitam de forma categórica todas as medidas unilaterais que visem alterar o estatuto legal, demográfico e histórico das terras palestinianas ocupadas", uma vez que "representam uma escalada grave que aumentaria a tensão e a instabilidade".
Segundo o Ministério da Justiça israelita, o objetivo da medida, aprovada no domingo, é "o registo de vastas áreas" na Cisjordânia em nome do Estado de Israel.
Israel ocupou a Cisjordânia durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, juntamente com outros territórios árabes, como o planalto sírio dos Montes Golã e a península egípcia do Sinai, embora esta última tenha sido devolvida ao Egito após a guerra de 1973 e após os acordos de paz entre o país norte-africano e Israel (1979).
Os países árabes e islâmicos insistem que a única solução para o prolongado conflito no Médio Oriente é a criação de um Estado palestiniano independente na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, com capital em Jerusalém Oriental.
"Apelamos à comunidade internacional para que assuma as suas responsabilidades e adote medidas claras e firmes para pôr termo às violações israelitas, garantir que (Israel) respeite o direito internacional e proteger os direitos palestinianos", conclui o comunicado dos oito países.


