Mais de 40 jornalistas no Burkina Faso participaram num curso de formação "patriótica" de estilo militar, imposto pela junta militar no poder.
O Burkina Faso, assim como vários dos seus vizinhos, sofre há mais de uma década com a violência mortal perpetrada por jihadistas ligados à Al-Qaeda e ao grupo Estado Islâmico.
Sob o comando do capitão Ibrahim Traoré, que tomou o poder num golpe de Estado em 2022, as autoridades militares exigem agora que os órgãos de comunicação social públicos e privados participem na "imersão patriótica" anual.
"Esta iniciativa é um novo e muito preocupante sinal para a liberdade de imprensa", disse Sadibou Marong, director do escritório da África Subsariana da organização Repórteres Sem Fronteiras, à AFP. "Os jornalistas não são soldados e não devem ser transformados em porta-vozes do esforço de guerra, vestidos com uniformes militares e armados", acrescentou. Desde o ano passado que os alunos do ensino secundário que realizam os exames finais são obrigados a fazer uma formação semelhante no Burkina Faso.
Traoré tem promovido uma agenda de políticas anti-ocidentais e de cariz interno, com o objectivo declarado de recuperar a soberania nacional. Vários veículos de comunicação foram suspensos. Segundo grupos de defesa dos direitos humanos, dezenas de jornalistas críticos da junta foram recrutados à força e enviados para a linha da frente.
Organizado pelo Ministério da Segurança, a formação dos jornalistas foi realizada numa academia de polícia perto da capital, Ouagadougou, informou o Governo. Homens e mulheres estavam entre os 44 jornalistas, e o curso teve a duração de seis dias.
Num vídeo partilhado nas redes sociais pela emissora pública RTB, o Ministro da Comunicação, Pingdwende Gilbert Ouedraogo, discursou para dezenas de jornalistas vestidos com uniformes militares e empunhando espingardas. "Serão jornalistas patriotas e profissionais?", perguntou Ouedraogo.
"Serão jornalistas patriotas e profissionais?" "Afirmativo", responderam em uníssono, mantendo-se em posição de sentido. "Um jornalista profissional que não seja patriota representa uma ameaça para o seu país", acrescentou Ouedraogo, que além de ministro, é também porta-voz do Governo.
Resgate pago no Mali financiou terroristas no Sahel
As Nações Unidas afirmaram que um resgate de cerca de 50 milhões de dólares, pago no final de 2025 pela libertação de um refém no Mali, ajudou a financiar militantes ligados à Al-Qaeda e à sua ofensiva na África Ocidental. De acordo com um novo relatório da ONU, a maior parte do dinheiro foi redistribuído pelos combatentes no Sahel, enquanto uma parte foi entregue à filial da Al-Qaeda na Península Arábica e ao comando central do grupo.
O relatório não revela o nome do refém nem confirma quem fez o pagamento, embora fontes regionais afirmem que os Emirados Árabes Unidos pagaram o resgate. Estas mesmas fontes dizem que um cidadão emiradense, juntamente com outros dois reféns estrangeiros foram libertados após o acordo. Os Emirados Árabes Unidos não comentaram o caso concreto, mas afirmaram que continuam empenhados no combate ao extremismo e ao terrorismo.
A ONU afirma que os raptos são tanto uma fonte de financiamento como uma forma de os militantes minarem a confiança no Estado. O relatório acrescenta que a coligação JNIM, sediada no Mali, conta agora com entre 7 mil e 8 mil combatentes no Sahel, metade dos quais no Mali.
O relatório alerta que o dinheiro dos resgates está a ajudar os militantes a comprar armas, a financiar a sua logística e a expandir a sua insurgência por toda a região. O Mali está mergulhado numa crise de segurança desde 2012, alimentada, sobretudo, pela violência de grupos afiliados da Al-Qaeda e do grupo jihadista Estado Islâmico, bem como de gangues criminosos locais e separatistas.




