A Procuradoria Nacional Financeira (PNF) francesa solicitou, ontem, um julgamento criminal para vários filhos de Omar Bongo, falecido Presidente do Gabão, para a Primeira-Dama da República do Congo e para o banco BNP Paribas, sob acusação de fraude na aquisição de imóveis.
No total, a PNF pediu o julgamento de 23 pessoas singulares ou colectivas: cinco empresas – o BNP Paribas e quatro imobiliárias – e 18 pessoas singulares, entre elas os filhos de Omar Bongo, e Antoinette Sassou Nguesso, mulher do Presidente congolês, revelou fonte judicial à AFP. No âmbito das investigações, foram apreendidas 52 propriedades adquiridas fraudulentamente, segundo fonte judicial. As investigações decorrem desde o final de 2010, na sequência de uma queixa apresentada pela ONG Transparência Internacional. A PNF alega que os imóveis terão sido comprados via um poderoso sistema de corrupção, clientelismo político e interesses comerciais entre Paris e as suas antigas colónias no continente africano. Este sistema deu origem ao “Caso Elf”, que girava em torno de comissões secretas pagas pela petrolífera francesa a Bongo, falecido em Junho de 2009, e ao seu círculo mais próximo. De acordo com informações da investigação, obtidas pela AFP, a justiça francesa acredita que Omar Bongo entregou dezenas de milhões de euros em dinheiro vivo a uma empresa gabonesa de design de interiores, a Ateliê 74, para financiar aquisições imobiliárias. O dinheiro foi depois transferido para a conta francesa da empresa. O BNP Paribas, que está sob investigação formal desde maio de 2021, enfrenta julgamento por branqueamento de capitais agravado, incluindo corrupção e desvio de fundos públicos, segundo fonte judicial.




