Kabila reaparece nos arredores de Pretória e rejeita revisão constitucional na RDC

O antigo Presidente da República Democrática do Congo, Joseph Kabila, reapareceu a cerca de 60 quilómetros de Pretória, na África do Sul, onde participou no 2.º conclave do movimento “Salve a RDC”, num encontro realizado entre 6 e 8 de Abril, segundo fontes citadas pelo África news.
A reunião terá decorrido com forte discrição e fora do território congolês, reunindo membros do movimento político criado por antigos aliados e figuras críticas ao actual poder em Kinshasa.
Num comunicado final divulgado posteriormente, o movimento acusa o governo da República Democrática do Congo de promover uma “deriva claramente ditatorial”, marcada por repressão política, silenciamento de vozes dissidentes e alegados abusos contra populações civis em várias regiões do país.
O documento cita episódios de violência em zonas como Minembwe, Masisi, Goma, Ituri, Kivu do Norte, Grand Bandundu e Maluku, referindo alegados bombardeamentos, massacres e ausência de resposta eficaz às acções de grupos armados.
O movimento “Salve a RDC” posiciona-se igualmente contra a revisão constitucional em curso no país, defendendo que o processo representa um risco para o equilíbrio institucional e democrático.
Além das críticas políticas, o texto aponta a deterioração da situação socioeconómica, referindo dados do Instituto Nacional de Estatística de 2025 que indicam que cerca de 64 milhões de congoleses vivem abaixo da linha de pobreza, e considera ineficazes os actuais esforços internacionais de estabilização.
Os signatários do documento levantam ainda dúvidas sobre a transparência de vários acordos assinados por Kinshasa, incluindo sectores como o mineiro, saúde e cooperação internacional, com destaque para alegadas preocupações sobre ética e protecção de dados.
A reunião ocorre num contexto de tensão renovada no leste do país, com o ressurgimento da actividade do grupo armado M23 e incertezas em torno de negociações internacionais de segurança.
Até ao momento, o governo congolês não reagiu oficialmente às acusações.


