Líder anti-imigração morre vítima de ataque armado

O líder do movimento anti-imigração ilegal March and March em Ekurhuleni, Andile Somgxada, morreu após não resistir aos ferimentos provocados por um ataque armado ocorrido na província de Gauteng, na África do Sul.
Segundo informações, divulgadas, ontem, por meios de comunicação sul-africanos, Somgxada foi baleado a 4 de Julho quando saía da sua residência em Greenfields, na cidade de Ekurhuleni. O activista foi socorrido e transportado para uma unidade hospitalar, onde permaneceu internado durante vários dias, vindo a falecer este fim de semana. A organização March and March classificou o incidente como um alegado assassinato direccionado contra uma das suas principais figuras locais. O porta-voz do movimento, Sandile Dube, afirmou que vários dirigentes da organização têm recebido ameaças de morte devido às posições assumidas contra a imigração ilegal. De acordo com Dube, líderes do movimento em diferentes regiões da África do Sul, incluindo Tshwane, Umlazi e Mpumalanga, têm sido alvo de intimidações recorrentes. O movimento acredita que o ataque poderá estar relacionado com a sua actividade pública e com os protestos realizados contra a imigração clandestina. No entanto, as autoridades ainda não confirmaram qualquer motivação para o crime. O Serviço de Polícia da África do Sul (SAPS) abriu uma investigação para esclarecer as circunstâncias do homicídio e identificar os autores do ataque. Até ao momento, nenhum suspeito foi detido. A morte de Andile Somgxada gerou reacções entre apoiantes do movimento, que exigem o rápido esclarecimento do caso e medidas de protecção para os seus membros. Entretanto, o Governo sul-africano afirma que mais de 53 mil estrangeiros foram deportados ou repatriados desde o lançamento de uma campanha de “gestão migratória”, há cinco semanas. A maioria era do Malawi, Zimbabwe e Moçambique, segundo as autoridades, e o número deverá aumentar à medida que os repatriamentos e as deportações continuarem. A África do Sul está a realizar uma das maiores operações contra imigrantes indocumentados dos últimos anos, após semanas de protestos anti-imigração que resultaram em violência, intimidação e pilhagens. Os manifestantes exigem controlos fronteiriços mais apertados e deportações em massa, acusando os imigrantes de contribuírem para o elevado desemprego, o aumento das taxas de criminalidade e o colapso dos serviços públicos. Rei zulu apela à imigração ordenada O rei Misuzulu kaZwelithini, líder dos zulus, o principal grupo étnico da África do Sul, apelou a uma imigração ordenada em África e negou que o seu país seja xenófobo, na sequência dos ataques contra migrantes africanos em situação irregular. O monarca, que representa mais de 10 milhões de pessoas que vivem principalmente na província de KwaZulu-Natal (leste), fez estas declarações após se ter reunido em Harare com o Presidente do Zimbabwe, Emmerson Mnangagwa, cujo país tem sido afectado pelo repatriamento de milhares de cidadãos que fugiam dos ataques xenófobos na África do Sul, segundo noticiaram os meios de comunicação locais. “Toda a pessoa que entra legalmente noutro país, cumpre as suas leis, contribui positivamente para a sociedade e respeita as instituições dessa nação deve ser sempre tratada com dignidade”, sublinhou o monarca, que abordou com Mnangagwa a crise dos recentes protestos anti-imigração no seu país. "No entanto, a entrada ilegal, a falsificação de documentos, o tráfico organizado de pessoas e as violações deliberadas da legislação em matéria de imigração são questões de justiça penal e de administração pública, não questões de raça ou nacionalidade”, referiu. O rei Misuzulu destacou os laços históricos entre as nações da África Austral, sublinhando que a história do seu povo transcende as fronteiras da África do Sul. “A identidade africana nunca se limitou às fronteiras coloniais, e a nossa ascendência comum deve inspirar respeito mútuo. Nunca deve ser utilizada para justificar o incumprimento das leis de imigração de nações soberanas”, argumentou o monarca. O rei considerou também “inexato apresentar os sul-africanos como um povo que odeia os africanos”. O rei Zulu estava acompanhado por outro monarca tradicional sul-africano, Ndamase Ndamase, líder do reino de Amampondo, na província do Cabo Oriental (leste). “Não estamos a dizer que os imigrantes ilegais estejam a agir correctamente ao entrar ilegalmente na África do Sul, mas a xenofobia e a violência não são algo que os líderes reais da África do Sul desejem”, afirmou o rei Ndamase.



