Líder da oposição centro-africana denuncia “abuso de poder” após ser impedido de viajar

O principal opositor da República Centro-Africana, Anicet-Georges Dologuele, denunciou esta quarta-feira um alegado “abuso de poder” por parte do Estado, depois de ter sido impedido de deixar o país devido a uma disputa judicial relacionada com a sua nacionalidade.
Dologuele, antigo primeiro-ministro e um dos principais críticos do Presidente Faustin-Archange Touadéra, afirmou que foi barrado na terça-feira quando tentava embarcar para Addis Abeba, onde deveria participar numa reunião do Fundo de Paz da União Africana, órgão cujo conselho de administração preside desde 2018.
Segundo o opositor, as autoridades alegaram que ele perdeu a cidadania centro-africana por possuir também nacionalidade francesa, situação validada por uma decisão judicial proferida em Outubro passado.
Durante uma conferência de imprensa, Dologuele acusou o Ministério do Interior de lhe retirar o direito ao passaporte centro-africano e de o impedir de sair do território nacional, classificando a medida como uma utilização abusiva do poder do Estado.
O caso surge num contexto político marcado por fortes tensões entre o Governo e a oposição. Meses antes da decisão judicial, Dologuele havia renunciado ao passaporte francês para poder concorrer às eleições presidenciais de Dezembro.
Após a reeleição de Touadéra, declarado vencedor com quase 78 por cento dos votos, o opositor denunciou alegadas fraudes eleitorais e contestou os resultados.
Grande parte da oposição boicotou o processo eleitoral, realizado depois da revisão constitucional de 2023, que permitiu ao actual Presidente concorrer a um terceiro mandato.
Dologuele já havia ficado em segundo lugar nas eleições presidenciais de 2016 e 2020, ambas também marcadas por acusações de irregularidades e suspeitas de fraude eleitoral.


